Eu avisei

João Wady Cury

07 Dezembro 2018 | 16h06

O ator Bryan Cranston prepara-se para mais uma maratona, sete vezes por semana em Nova York. Depois de invadir a casa dos humanos como o personagem Walter White, de Breaking Bad, estreia na Broadway com a montagem, britânica de The Network. Cranston passou este ano pelo West End londrino e levou para casa o Olivier Awards de melhor ator por sua atuação como Howard Beale, âncora de um programa jornalístico de baixíssima audiência que, ao saber de sua demissão, anuncia ao vivo que vai se matar. Caos instalado, sucesso garantido. Nem poderia ser diferente. Ser humano em paz é marasmo. A novidade no elenco da peça, que chega a Nova York, dia 6, é o ator Tony Goldwyn, uma das estrelas da série Scandal, na qual faz o presidente norte-americano Fitzgerald Grant, o Fitz. A direção da montagem de The Network é do belga Ivo van Hove. Escrita em 1976, satiriza a mídia e não deixa pedra sobre pedra. E tem mais de onde saiu isso.

 

NÃO AVISARAM 

The Network (Rede de Intrigas) nasceu como filme pelas mãos do cineasta Sidney Lumet em 1976. Tremendo sucesso. A personagem Howard Beale deu a possibilidade ao ator inglês Peter Finch desempenhar possivelmente sua melhor atuação no cinema, com indicação para o Oscar. Mas a vida é madrasta. O ator não pôde gozar o sucesso. Um ataque cardíaco o abateu no lobby de um hotel em Beverly Hills em janeiro de 1977, no dia seguinte à participação no talk-show mais bombado da época, de Johnny Carson. Isso não impediu – talvez tenha ajudado – que a academia de Hollywood o premiasse no mesmo ano com o Oscar póstumo de ator por The Network. Sim, claro, todos pensamos nisso: espera-se que Bryan Cranston, com o mesmo personagem de Finch, esteja com seus exames em dia.