Memória radioativa no palco

Memória radioativa no palco

João Wady Cury

07 Dezembro 2018 | 10h03

Calmozzi. Césio em cena Foto: Zarella Neto

 

Pouco mais de 30 anos depois do acidente radioativo de Goiânia, em setembro de 1987, o césio-137 continua na lembrança que a arte arrasta para o palco. Void é a peça que trata da memória sobre este fato e suas consequências: quatro mortos, mais de 100 pessoas gravemente feridas e milhares afetadas. No palco e na direção Alvise Calmozzi ficciona a história sobre o ‘brilho da morte’, como ficou conhecido o elemento radioativo. Estreia dia 29 e fica em cartaz até 23 de dezembro no Sesc Avenida Paulista.

BRILHO SEM JUÍZO  

O caso dos catadores de lixo que encontraram material radioativo começou em uma clínica de tratamento de câncer em Goiânia e levou o Brasil à fama mundial. Péssimo exemplo, um dos maiores acidentes do tipo da história. A peça tem codireção de Beatriz Sayad, dramaturgia de Letizia Russo. Vale atenção para o desenvolvimento dos sistemas interativos, criados pelo compositor Daniel Maia e a iluminação de Guilherme Bonfanti — o ‘brilho da morte’ é dono de um verde cativante e o deslumbre das pessoas com sua intensidade levou a todo o problema.