Mais polêmica à vista

João Wady Cury

11 Maio 2017 | 11h14

 

Publicada na coluna há um mês, a entrevista do diretor Cacá Rosset (“O teatro vive hoje uma anemia criativa, um processo de ‘motelização’”) provocou a indignação do empresário e diretor teatral Isser Korik, do Teatro Folha. Por ‘motelização’ entenda-se grande quantidade de peças em um mesmo teatro com temporadas curtíssimas cada uma delas e em dois ou três dias da semana. Korik argumenta que, empresarialmente falando, o negócio do teatro mudou. “Cacá Rosset usou um termo ofensivo e precisa entender que não estamos mais no tempo do TBC, quando as peças ficavam em cartaz seis dias por semana. Nosso teatro está em um shopping center, precisamos atender a diversos tipos de públicos diferentes”, explica Korik. “Temos peças para adultos, jovens, adolescentes e crianças, de todos os tipos, das comédias e dramas aos musicais. Não é à toa que estamos aqui há 17 anos e com sucesso.” Ao mesmo tempo, Korik admite que algumas peças acabam permanecendo pouco tempo em cartaz, por volta de um mês, justamente por não conseguirem emplacar junto ao público, mas que isso ocorre em vários outros espaços. E destila sua mágoa com o diretor. “Em vez do Cacá ficar reclamando dos teatros, deveria fazer novas peças. Há oito anos não vemos nenhuma nova montagem dele”, alfineta o empresário, referindo-se ao espetáculo de 2009, A Megera Domada.