Farewell

João Wady Cury

23 de agosto de 2018 | 13h17

Otavio Frias Filho, falecido anteontem, não legou somente seus textos dramatúrgicos ao teatro. É dele um ensaio em que vai embutida uma das mais sensíveis e precisas definições sobre o que é ser ator e atriz, como vivem estes e sua missão – no livro Queda Livre. “Atores ganham mal, se alimentam mal, dormem tarde, tomam comprimidos, primeiro para vencer a insônia, depois para derrotar o efeito dos primeiros comprimidos. Envolvem-se em confusões financeiras, vivem desempregados entre um trabalho e outro, estão sempre mudando de camarim, de hotel, de cidade. Sua casa é o tablado, sua família sempre provisória é a trupe. Estando mais expostos ao contato íntimo dos demais seres humanos, eles se apaixonam mais vezes, o que significa que passam mais vezes pelas dores do desamor. Apesar disso, sua profissão é não apenas sagrada por elevar nossas mentes ao entendimento maior do mundo, mas tão prazerosa que todos os dias pessoas abandonam tudo para se entregar a esta vida que permite viver todas as outras.”

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