Desmesuradamente: Copi

João Wady Cury

07 de fevereiro de 2017 | 12h56

 

Raúl Natalio Roque Damonte Botana pode passar batido por sua memória tão claudicante mas não o apelido meigo e singelo: Copi. Argentino de nascimento, era um azougue: cartunista, caricaturista, dramaturgo, novelista. Não é pouca coisa. Tanto é que lentamente tem sido inspiração, no Brasil, para montagens de peças suas e inspiradas em sua vida. Como é o caso de Desmesura, baseado em Copi. O espetáculo chega ao palco do Centro Cultural São Paulo pelas mãos do Teatro Kunyn, em abril, escrita por Ronaldo Serruya, também no elenco, e direção de Luiz Fernando Marques, ambos integrantes do Grupo XIX de Teatro. Ainda jovem, Copi tratou de deixar Buenos Aires e rumou a Paris. Não demorou a acertar a mão: juntou-se ao espanhol Fernando Arrabal, ao chileno Alejandro Jadorowsky e ao francês Roland Topor no grupo Teatro Pânico nos anos 60. Por trás da vida de Copi há dois temas que caminham juntos na peça: transexualidade e soropositividade – o dramaturgo morreu em decorrência de complicações provocadas pelo HIV nos anos 80. Uma pitada do que era Copi, ao saber que era soropositivo: “Sou tão vanguardista que a doença me atacou primeiro”.