A deusa que veio de Quintino

A deusa que veio de Quintino

João Wady Cury

25 Junho 2018 | 00h53

Dione Carlos. Dramaturga Foto: JF Diorio/Estadão

 

O bairro carioca de Quintino Bocaiúva, ou simplesmente Quintino, tem como filho pródigo o ex-jogador Zico, do Flamengo. Também é de lá uma das novas vozes da dramaturgia brasileira, a autora Dione Carlos. Dona de um texto envolvente e direto, com algum lirismo, Dione – nome emprestado da deusa das ninfas do Olimpo – está em cartaz com a montagem de Baquaqua – Documento Dramático Extraordinário, que segue com apresentações em SP nesta sexta e sábado no CEU Paz, dias 22 e 23 no CEU Jaguaré, e dias 26 e 29 de junho no CEU Butantã.

 

‘BAQUAQUA’ É DO BABADO

Destaque da mostra Dramaturgias, no Sesc Ipiranga, Dione é autora de mais de uma dezena de peças, das quais três reunidas no livro Dramaturgias do Front, lançado em dezembro passado. Baquaqua é do babado por vários motivos. Levado pela Cia do Pássaro em circulação popular na cidade, o texto da dramaturga de Quintino resgata a história do africano Mahommah Gardo Baquaqua, escravizado no Benin e trazido ao Brasil em 1845, quando este ainda era Brazil. O próprio Baquaqua escreveu sua biografia, intitulada An Interesting Narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua, contando a saga de como fugiu de seus feitores e acabou chegando ao Haiti e aos EUA, onde estudou inglês e escreveu a obra.

 

ENTERRO DE PAPEL

Dione será uma das dramaturgas que fará o enterro simbólico de seus textos no encerramento do projeto Dramaturgias, às 17 horas deste domingo, 17, cerimônia pra lá de hippie, o que é bom. Sim, é performance de dramaturgo, mas traz a ação como inspiração para semear e futuramente colher novos frutos teatrais. Como dizem que nesta terra tudo dá, parece haver esperança, ainda que tarde. Também participarão na patuscada Kiko Marques, Newton Moreno, Jé Oliveira, Silvia Gomez, Alexandre Dal Farra e Pedro Kosovski.