CENÁRIO – MARCELLO MASTROIANNI

CENÁRIO – MARCELLO MASTROIANNI

João Wady Cury

04 Maio 2017 | 14h52

“O teatro é um templo, um templo onde o sol nunca entra. É aprofundado porque tudo reside na palavra.”

Frase de MARCELLO MASTROIANNI, ator, morto há 20 anos, no livro Eu Me Lembro, Sim, Eu Me Lembro, publicado no Brasil pela da DBA Editora.

 

Marcello Mastroianni morreu há exatos 20 anos. Atuou em mais de 140 filmes mas foi no teatro que começou sua carreira de ator. E o melhor, que muitos não sabem: pelas mãos do cineasta Luchino Visconti. Foram dez anos no palco sob direção do famoso cineasta.
A primeira montagem foi em Um Bonde chamado Desejo, de Tenesse Williams, no papel de Mitch. Depois atuou em A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, A Hospedeira, de Goldoni, e Tio Vânia e As Três Irmãs, de Anton Tchekhov.
Dez anos depois decidiu criar sua própria companhia e começou a montagem de Aquele Louco do Platonov, peça inacabada de Tchekhov. Convidou Visconti para dirigir, que aceitou, mas a encenação acabou sendo interrompida. O motivo não poderia ser melhor. Federico Fellini o roubou para fazer A Doce Vida.
Mastroianni tem frases belíssimas sobre sua vida no teatro: “Se eu sei fazer alguma coisa, creio que em grande parte devo isso a eles [Rina Morelli e Luchino Visconti]. O teatro é importante para um ator”.
Uma das últimas vezes que pisou em um palco foi dez anos antes de sua morte e dirigido por um dos mais emblemáticos diretores do teatro mundial: Peter Brook. A peça era Tchin-Tchin, de François Billetdoux, e a montagem estreou no Théâtre Montparnasse, em Paris.