Wiener Kammersymphonie em turnê sul americana

Wiener Kammersymphonie em turnê sul americana

Alvaro Siviero

05 de novembro de 2016 | 10h45

Alvaro Siviero e Wiener Kammersymphonie

Tudo começou no ano 2006, na celebração dos 250 anos de nascimento do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, quando cinco instrumentistas de primeiríssimo nível radicados em Viena, debutaram na Espanha em uma série de concertos dedicados ao Ano Mozart. Após terem sido entusiasticamente elogiados pela crítica como um dos melhores do gênero, o WKS (www.wienerkammersymphonie.com) arregaçou as mangas embrenhando-se em uma série de projetos dedicados, não somente ao gênio Mozart, mas igualmente a compositores austríacos que lhe foram contemporâneos. A formação do Wiener Kammersymphonie lhes permite executar repertórios amplos – não somente Mozart – abarcando desde a clássica Viena até a Viena contemporânea, trazendo à tona autores injustamente esquecidos. Constantemente convidados a participar dos mais importantes festivais internacionais, como o Ravello Festival (Itália), o Alba Music Festival (Itália), Side Music Festival (Turquia), o WKS recentemente apresentou-se em cidades sul-americanas. Tive a alegria de ser o solista convidado a abrir esta turnê na cidade de Curitiba executando precisamente o autor que os originou: Mozart.

Os comentários elogiosos sobre o trabalho do WKS já eram de meu conhecimento, tanto quanto sua extensa experiência artística. No entanto, a curiosidade me invadia. O mix de coragem e ousadia de cada um desses músicos me incomodava. Explico-me: no repertório orquestral os músicos dividem-se em instrumentos (o nome técnico seria naipe). Ou seja, para cada naipe, há vários instrumentistas compartilhando o mesmo instrumento, dividindo a responsabilidade da partitura. Mas o WKS delegou cada uma dessas partes para um único instrumentista. É o mesmo que andar em uma corda bamba sem rede de proteção.

Já no primeiro ensaio pude verificar a rápida e musical capacidade de integração. Cada nota executada pelo grupo era importante. Cada detalhe musical era evidenciado. Cada indicação proposta pelo autor na partitura era explorada com alma e coração. Química imediata. E o concerto um êxito. Não é de se estranhar que, como fiquei posteriormente, todas as cidades pelas quais o WKS passou reconheceu sua excelência musical, aplaudindo-os efusivamente: Curitiba, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Petrópolis, Punta del Leste, Córdoba…

O grupo, formado por Vira Zhuk (violino I), Maximilian Bratt (violino II), Wolfram Fortin (viola), Sergio Mastro (violoncelo) e Felipe Medina (contrabaixo), prepara-se para apresentações das sinfonias de Haydn e Beethoven na Dinamarca e Istanbul (Soreyya Opera), revelando que o fazer música de boa qualidade não depende somente de instituições que assumam o papel administrativo e promocional de músicos, mas da vontade própria e amadurecida dos próprios músicos. Capacidade de iniciativa. A liderança gerencial de seu mentor Sergio Mastro e a comunhão de intenção musical de seus membros mostram que iniciativas como esta podem se espalhar pelo mundo afora. Podem se espalhar pelo Brasil. Depende somente de nós. Fica o convite.