Um Villa-Lobos inédito para muitos

Alvaro Siviero

28 de novembro de 2012 | 19h04

De vez em quando nos deparamos com realidades que, seja pela sua novidade ou riqueza, nos prendem a atenção. Foi o que ocorreu comigo ao me deparar com a obra coral de Villa-Lobos, raramente interpretada ou divulgada. Selecionado pelo maestro Júlio Moretzsohn, o repertório do CD Villa-Lobos – Calíope – Vozes do Brasil, interpretada pelo grupo Calíope, é registro que veio para ficar. Contendo obras coral a capella (somente canto, sem instrumentação) de caráter profano e compostas a partir de motivos indígenas e afro-brasileiros, a iniciativa é muito bem vinda, ainda mais sendo 2012 o ano das comemorações do 125° aniversário de nascimento de um dos maiores – talvez o maior – músico que o Brasil deu ao mundo. Enquanto homenagens difundem ainda mais sua obra, um lançamento deste teor artístico destaca e joga luz ao vasto e rico repertório deste exímio compositor brasileiro.

Gravado no Estúdio Sinfônico da Rádio MEC (RJ) em 2011 e tendo chegado às lojas no último mês de outubro, o disco reúne peças escritas de 1926 (Na Bahia tem) a 1952 (Lendas Ameríndias em Nhengatú), período em que Villa-Lobos mergulhou seus estudos nas culturas indígenas e afro-brasileiras. Seu núcleo é constituído pelo variado repertório, elaborado por Villa-Lobos nos anos 30, destinado à educação musical nas escolas e à prática do canto orfeônico. É a partir de meados dos anos 20 que Villa-Lobos inaugura um período de obra coral a capella de caráter legitimamente profano, que culminaria com a Bachiana Brasileira n.9.

Em obras como Bazzum (descrito por Villa-Lobos como “ensaio para a canção popular”), As Costureiras (na sua descrição, “uma Embolada”), José (escrita em 1944, baseada no famoso poema “E Agora José?”, de Carlos Drumond de Andrade) e o ritmo cadenciado de Estrela é Lua Nova, o grupo Calíope mostra porque hoje é considerado um dos grandes grupos vocais brasileiros. E  Júlio Moretzsohn (ao centro, na foto acima) revela excelência não somente na escolha acertada de repertório mas, acima de tudo, na condução competente daquilo que é mais nosso: a cultura brasileira.

Tudo o que sabemos sobre:

Grupo CalíopeJúlio MoretzsohnVilla-Lobos

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.