The Cape Town Philharmonic Orchestra: um século de sinfonia

The Cape Town Philharmonic Orchestra: um século de sinfonia

Alvaro Siviero

10 de abril de 2019 | 11h21

Durante execução do Concerto em ré menor BWV 1052, de Bach

Há poucos dias, tive a oportunidade de conhecer de perto o trabalho artístico desenvolvido pela primeira orquestra sinfônica profissional  do continente africano: a Cape Town Philharmonic Ochestra. Fundada em 28 de fevereiro de 1914, alia sensibilidade artística, paixão, energia e garra no fazer musical, onde músicos comprometidos e competente estrutura administrativa é capaz de viabilizar a milhares de pessoas, semanalmente, sua maestria. O público, caloroso e entusiasmado, entendendo que a CPO é seu símbolo e embaixatriz cultural não somente da cidade, mas do continente, entusiasticamente, lota seus concertos em um dos edifícios mais charmosos da cidade: a Cape Town City Hall. Esta magia tem atingido milhares de corações com seus mais de 120 concertos anuais entre os quais contam-se apresentações para a família real britânica (como ocorreu durante a visita real à cidade, em 1947) e projetos de educação musical filantrópicos para comunidades menos privilegiadas e que hoje conta com 2 orquestras jovens (destaque ao projeto Masidlale, responsável por enorme serviço de resgate social).  A história das temporadas de concertos da CPO incluem turnês pela China, Ilhas Canárias, Europa e USA (somente neste último país apresentaram-se em mais de 15 cidades). Em seu centenário embarcou em turnê de 3 semanas com diversas apresentações no Reino Unido. Nada mal.

Durante a semana que lá passei, faz poucos dias, atuando como solista no Concerto para piano e orquestra em ré menor BWV 1052, de Bach, a orquestra recebeu lembrei-me de uma frase recorrente de minha avó: “meu filho, por detrás de toda bela tapeçaria escondem-se diversos nós”. Sim, os soldados de valor sempre carregam suas cicatrizes. E não poderia ser diferente aqui. Mas, de acordo com Louis Heyneman, presidente executivo da CPO,  o motto de trabalho do grupo sempre foi e será  “The show must go on”. Desistir nunca será uma opção. E, exatamente no dia em que realizei o concerto – dia 04 de abril – a orquestra recebeu a confirmação de um valor substancial de investimento governamental para suas atividades. Celebrando este momento, após o concerto, uma calorosa recepção foi promovida, que contou com a presença da Consul Geral do Brasil em Cape Town, Sra. Carmen Ribeiro Moura.

A CPO possui hoje como corpo diretivo/administrativo Louis Heyneman (presidente executivo), Sergei Burdukov (direção artística), Shirley de Kock Gueller (marketing e promocional), além de board de diretores e de patronos. Seu maestro principal é Bernhard Gueller.

A vida ensina que todo sonho pode ser transformado em realidade quando existe um querer determinado e incessante por parte de quem persegue esse sonho. Cultura não é despesa, é investimento. Não são poucas as cidades do mundo que tomaram consciência de que atividades como as desenvolvidas pela CPO são transformadoras em todos os âmbitos de uma sociedade que, a cada dia que passa, torna-se mais humana, tolerante e unida. Talvez, por este motivo, a CPO divida seus concertos em quatro grupos, cada um deles referenciado com o nome de uma das estações do ano (primavera, verão, outono e inverno). Sim, a CPO se tornou – como eles afirmam – “an orchestra for all seasons” (uma orquestra para todas as estações).

A Música transforma. A boa Música mais ainda. E, se feita por amor, cativa e enobrece. Enriquece. Interioriza.  É por isso que deixei meu coração em Cape Town e algum dia, não tenham dúvidas, voltarei para buscá-lo.

Maiores informações podem ser obtidas em www.cpo.org.za