Sinfônica da Paraíba em crise

Alvaro Siviero

04 de setembro de 2012 | 10h45


As crises que enfrentam as orquestras brasileiras, de norte a sul, parecem agora ter atingido o Estado da Paraíba. Problemas de ingerência artística? Falta de verbas? Dificuldades de relacionamento humano? As questões continuam…  sem respostas precisas. A verdade dos fatos, como sabemos, não se atinge com análises unilaterais. A boa gestão é aquela que sempre ouve, de modo isento, as duas partes. Uma análise objetiva e esclarecedora de muitos desses conflitos pode ser consultada em excelente matéria do repórter João Luiz Sampaio (leia aqui).

O maestro Alex Klein, que já ocupou postos de destaque no cenário musical internacional, parece ser agora o novo foco da crise. Klein, que esteve à frente do Theatro Municipal de São Paulo entre outubro/2010 e fevereiro/2011, atuando em festivais de música no Paraná e Santa Catarina, entre outros, apresentou-se no último mês de agosto com a Orquestra Filarmônica Bachiana SESI-SP, na Sala São Paulo.

 

Abaixo, o texto assinado pelos músicos da Orquestra Sinfônica da Paraíba

Músicos e servidores do quadro da Orquestra Sinfônica da Paraíba pedem afastamento do maestro Alex Klein.

Em carta destinada ao secretário de Cultura do Estado Chico Cesar, e por meio de abaixo-assinado, músicos e servidores de apoio-artístico da Orquestra Sinfônica da Paraíba solicitam o afastamento imediato do atual maestro da OSPB, Alex Klein.
Em Assembleia Geral realizada na noite do dia 24 de agosto de 2012, na Sala do Cine Banguê – Espaço Cultural, músicos e servidores de apoio-artístico da Orquestra Sinfônica da Paraíba decidiram por unanimidade o afastamento do senhor Alex Klein da função de Regente Titular e da Direção Artística da OSPB. Por meio de abaixo-assinado e usando o exercício da democracia e em concordância com a legislação estadual, em especial o art. 196 do Estatuto do Servidor Público do Estado da Paraíba, Lei complementar Nº 58 do dia 30 de dezembro de 2003, os músicos e servidores decidiram que não há mais condições de continuidade no trabalho conjunto com o aludido maestro. Nessa mesma assembléia ficou acordado que seria sugerido ao Exmo Secretário que os concertos que restam da temporada 2012 seriam regidos pelo maestro da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba e maestro assistente da OSPB, o Sr. Luiz Carlos Durier, até que novas alternativas sejam encontradas para a ocupação da função de Regente Titular da OSPB. Afirmam também que na cidade existem maestros capazes e preparados para, na condição de convidados, auxiliarem na condução dos destinos da OSPB e dar continuidade à programação da temporada 2012. Os músicos e servidores alegam imposição unilateral de perfil e gestão do maestro, que desconsidera sistematicamente a participação do Conselho Artístico da OSPB nas decisões e planejamento das atividades. Uma afronta ao parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 7.861 de 16 de novembro de 2005 que dispõe sobre a vinculação, a organização e o quadro pessoal da sinfônica. Eles questionam também que o maestro estabeleceu no primeiro semestre de 2012, uma programação artística arbitrária sem conhecimento prévio do conselho artístico, como também a não consideração das condições físicas, materiais, técnicas e principalmente orçamentárias da Orquestra, que acarretou a inexecução do cronograma da temporada, resultando nos cancelamento de concertos, sem devido aviso prévio, promovendo o constrangimento dos músicos e do público, que desinformado compareceu ao local onde estes seriam realizados. Os músicos e servidores contestam ainda a conduta ética do maestro em relação ao trato pessoal com os músicos, algum dos quais foram constrangidos públicamente em assembléias realizadas com a sua participação, bem como a ausência de um projeto coerente que atenda aos anseios dos músicos no que diz respeito à manutenção e revitalização deste conjunto sinfônico. Na carta ao secretário Chico Cesar, músicos e servidores afirmam que após longas discussões em assembléias realizadas desde o inicio do ano procurando saídas, estas demonstraram que definitivamente não há mais possibilidades de encontrar caminhos de harmonia, entendimento, confiança e simpatia entre o referido maestro e os músicos, aspectos fundamentais para o exercício da profissão de músico. As vias de comunicação estão esgotadas, a confiança completamente abalada e a integridade moral dos músicos ferida, ao ponto de não haver mais possibilidade de reconciliação entre as partes, disseram. Eles finalizam a carta pedindo providências para atender as solicitações, além de se colocarem à disposição para discussões futuras que envolvam o maior patrimônio cultural dos paraibanos, a Orquestra Sinfônica da Paraíba – deixando claro o seu total e irrestrito apoio as políticas culturais do Governo do Estado da Paraíba. 

 

Tudo o que sabemos sobre:

Alex Klein

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.