Redes de cinema investem em ópera e concerto.

Alvaro Siviero

24 de março de 2012 | 15h41

O hábito da leitura não surge de graça: aproximar-se de livros, sem medo, pede dedicação de tempo. Os efeitos positivos deste esforço inicial são colossais: aumento da capacidade de expressão, desenvolvimento da capacidade de síntese, enriquecimento de vocabulário, de cultura e, talvez o melhor de tudo, acabamos reconhecendo em tantos personagens que se imortalizaram muitas pessoas próximas a nós. Entendemos melhor o que é o ser humano. Surge, então, o gosto pela leitura. A estupidifcação do homem moderno começa, muitas vezes, aí: quando, por falta de leitura e conhecimento, o homem perde a capacidade de articular idéias e, se o fazem, é de modo vago, impreciso, abstrato. É gente que fica para trás. Na música, esses romances, aventuras, comédias ou dramas literários encontram um paralelo enriquecido na ópera.

Algum leitor pode estar pensando: “Forçou!”. E esse leitor estaria enganado. A ópera não é mais do que isso: uma estória (uma trama) que nos é transmitida através de música cantada e de uma interpretação cênica. Tudo simultaneamente. Sim, a obra (ópera, em italiano) é também teatro, com direito a cenografias de cair o queixo. E a força da ópera provem daí. Vejam com que força o personagem Nemorino – um camponês loucamente apaixonado, mas sem ter seu amor correspondido –  canta, diante da sacada da casa da amada, na célebre ária Una furtiva lacrima que, de amor, se pode morrer. Adina, a amada, encontra na platéia a multidão de pessoas que torce pelo final feliz. A ópera possui a capacidade, atrevo-me a dizer, de eternizar seu enredo na vida pessoal de cada um, sejam conflitos ou alegrias. O recado é imensamente positivo. Ninguém diria, e nem sequer se atreveria a pensar, acredito eu, que a mesma mensagem seja veiculada em uma novela, ou em um BBB da vida…

Neste sentido, é louvável a parceria realizada entre a Royal Opera House, de Londres (www.roh.org.uk) e a rede Cinemark (www.cinemark.com.br) ao trazer às salas de cinema do Brasil a temporada 2012 desta que é considerada a mais contemporânea de todas as casas de ópera. Serão 8 espetáculos, todos legendados em português, e com direito a toda tecnologia áudio-visual que se tem direito. A diretora de marketing da Cinemark Brasil – Bettina Boklis – espera atingir a todos, incluindo o público jovem, unindo espetáculos de qualidade inquestionável a um formato mais próximo do cotidiano de muitos. O ballet Romeu e Julieta e Giselle, as óperas Rigoletto, Così Fan Tutte, Cinderella, entre outros, acontecem entre fevereiro e maio, em mais de 30 complexos de todo Brasil.

Paralelamente, a UCI (www.ucicinemas.com.br) estará, no próximo dia 31 de março, a partir das 18h, em diversos cinemas de diversas capitais brasileiras (SP, RJ, PR, MG, entre outras) levando o aclamado concerto de Gustavo Dudamel para as salas de cinema do Brasil. O concerto, que uniu as orquestras Filarmônica de Los Angeles e Simon Bolivar em Caracas, Venezuela, foi gravado no último mês de fevereiro no Teatro Teresa Careña.

As duas orquestras combinadas com múltiplos corais e solistas interpretarão a “Sinfonia dos Mil”, de Gustav Mahler, a apoteose das sinfonias românticas. Recém-premiado com um Grammy, Dudamel realizou um sonho ao se apresentar novamente em sua cidade natal, com mais de 1.400 músicos no palco, duas orquestras de uma vez só.

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