Que tal o Bolsa Concerto?

Que tal o Bolsa Concerto?

Alvaro Siviero

07 Dezembro 2014 | 18h44

Assista ao vídeo.

A surpreendente cena poderia ter ocorrido com qualquer ser vivo: um gatinho, um cachorrinho ou até com um ser humano.  A cena intriga. E confunde. O que dizer às mães que entendem seu filho (o feto) como simples parte de seu corpo? Há quem defenda o  aborto (leia aqui) e, ao mesmo tempo, apimentando a confusão, lute pela salvação de vidas em campanhas anti-tabagistas, embora sejam favoráveis à liberação das drogas (maconha e afins). O mundo está confuso. O homem está confuso. E é por isso que o vídeo impacta, não pela imagem em si, mas pelo significado que carrega. 

Certa vez um aluno, em plena sala de aula, fez a pergunta: “Professora, alguém pode ser punido por não ter feito nada?” E veio a resposta: “Claro que não”. O aluno: “Ainda bem, eu não fiz a lição de casa”. O fato, que pode parecer uma piada, encontra eco em um sem número de situações: o conceito de tolerância que impede discordar do politicamente correto (o mesmo vale para os termos  preconceito e discriminação), a carência de capacidade de diálogo que deu lugar a ataques descontrolados e agressivos, confunde-se amor com paixão, liberdade com libertinagem, política com politicagem. O feminismo mal entendido gerou mulheres desfeminilizadas, como aquela que, após arrotar e cuspir no chão, esbravejou: “porque só homem pode fazer isso?” O politicamente correto permite, no âmbito religioso, citar Confúcio e Buda, mas não Jesus Cristo. Pais ausentes que reclamam de filhos evasivos. Os exemplos seguem-se. São muitos. Uma pena. Falta critério. Faltam idéias sólidas. Sobram mentes atrapalhadas. O mundo necessita, urgentemente, de mentes pensantes e honestas. A vida é Bela. 

Siansa National Concert_Hall

O grande autor russo Fiódor Dostoievsky dizia que a Beleza salvaria o mundo. Conhecedor como era do niilismo e do abismo do desespero humano, acreditava que a força da beleza restauraria o espírito. Mais do que isso. Como afirmou Luiz Felipe Pondé em excelente artigo publicado no jornal “A Folha de São Paulo”, no último 1° de dezembro (leia aqui), Dostoievsky acreditava que “habitaríamos um futuro em que a verdade desapareceria por força de nossa própria dúvida e razão, e que, talvez, apenas a Beleza poderia recuperar a forma do mundo”.

Sistine Chapel

Em época de tantas promessas governamentais, aonde o descrédito das autoridades chega a níveis surpreendentes e muitos apoiam-se em retóricas confusas e tendenciosas, repletas de respostas de conteúdo rebaixado ao meramente hormonal, quero sugerir o Bolsa Concerto. Isso mesmo. O Bolsa Família não está sendo suficiente. É pouco. Como Dostoievsky, acredito que a Beleza resgatará o homem do embrutecimento, da ganância e dos jargões midiáticos (por sinal bastante desarticulados e vazios) impostos por aqueles que ainda não entenderam a força e o esplendor da experiência estética.