Quarteto Borodin: gritar ou sussurrar ao ouvido?

Alvaro Siviero

01 de junho de 2013 | 11h00

Sala de concerto é uma realidade atual: as mais antigas foram inauguradas no século XIX. Em outras palavras, Mozart, Haydn, Beethoven, entre tantos outros grandes músicos, nunca experimentaram serviços automatizados de compra de ingressos, bilheteria, ECAD. Nada disso. A colocação, um tanto cômica, é um fato. Antes do advento da inauguração das nossas salas de concerto – o Musikverein, em Viena, é uma das mais antigas do velho continente – os concertos eram todos realizados em salas pequenas, na residência da aristocracia,  para um público seleto que, no entardecer, se reunia para ouvir boa música, composta para um pequeno grupo de instrumentistas que se adaptasse ao tamanho das câmaras do palácio. Mas a música – como elemento vivo que é – passou por suas transformações e, com o movimento romântico, o tamanho dos grupos orquestrais foram revolucionados,  em mudança forçosa de paradigmas. Surge, então, a necessidade da construção de ambientes de maior capacidade para acolher esses grupos.

O termo música de câmara, nos dias atuais,  é usado para a música executada por um pequeno número de músicos, em atmosfera mais íntima. Um enorme desafio. As palavras que mais escutamos não são aquelas proferidas aos gritos, mas as sussurradas ao ouvido. E isso é a música de câmara: tudo fica exposto, todas as linhas melódicas de cada instrumento ficam explicitadas, qualquer deslize se evidencia, qualquer desafinação, assim como qualquer momento de profunda inspiração musical. Goethe comparou, certa vez, a música de câmara a uma conversa de intelectuais:poucas pessoas falando em diálogo denso.

Pois bem, e é uma das referências da música de câmara internacional que aterrissa no Brasil para apresentações pela temporada da Sociedade de Cultura Artística: o quarteto de cordas Borodin (2 violinos, viola e violoncelo). Formado em 1945 por estudantes do Conservatório de Moscou, é o mais antigo quarteto de cordas do mundo em atividade ininterrupta. Composto atualmente por Ruben Aharonian e Sergei Lomovsky (violinos), Igor Naidin (viola) e Vladimir Balshin (violoncelo), o quarteto chegou até a se apresentar nos USA em pleno momento da Guerra Fria, apesar das restrições impostas aos artistas soviéticos. Reverenciado como um dos melhores conjuntos de câmara do mundo, com gravações recebidas com aclamação pela crítica internacional, o mundo quer ver e ouvir o Quarteto Borodin em performances ao vivo. Contam-se em milhares as apresentações em todo o mundo. Já houve quem afirmasse que o Borodin Quartet não possui quatro instrumentos distintos, mas um único instrumento com dezesseis cordas.

Em São Paulo, pela Cultura Artística, Sala São Paulo, o grupo se apresenta nos dias 02 e 05 de junho, às 21h.

Tudo o que sabemos sobre:

Quarteto Borodin

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.