Programa do Jô, a Música e uma enxurrada de emails

Alvaro Siviero

03 de maio de 2012 | 19h33

Preciso dividir com vocês a enorme alegria que tive nesses dois últimos dias: após minha entrevista no Programa do Jô (o vídeo se encontra ao final destas linhas), uma enxurrada de emails, das mais diversas partes do Brasil (e do exterior também), manifestaram concordar em grau, gênero e número com a necessidade de uma mudança de enfoque no ser humano. Alimentar a alma humana é, quase sempre, tão ou mais interessante que um pedaço de picanha.

Entre os emails que recebi, muitos afirmavam ter desistido de continuar seus estudos de música como instrumentistas, mas que a entrevista acabou se transformando em empurrão para o retorno. Outros me solicitavam ajuda para realizar trabalhos de conclusão de curso falando sobre a necessidade da música no enriquecimento pessoal. Muitos outros apreciaram poder se aproximar da música não somente de um ponto de vista estético (gostei ou não gostei) mas também intelectual (conhecer as raízes do que ocorre na vida dos autores e nas circunstâncias de composição das obras). Houve até quem propusesse que bate-papos como o que ocorreu se tornassem mais presentes na TV brasileira (acho isso mais difícil…). Procurei, pessoalmente, responder todos os emails que recebi. Uma verdadeira avalanche!

Falo aqui, a vocês, algo que não me atrevi falar durante a entrevista. Achei que não era o momento. Música erudita interioriza, desembrutece e enriquece. OK. Mas ela também é entretenimento. Se na Áustria – sem comparações, mas comparando – Mozart é entretenimento, porque no nosso Brasil, para muitos, não o é? A resposta, para mim, é simples (espero não estar sendo simplório): ninguém ama o que não conhece! Falta cultura ao povo brasileiro! Não é necessário ser “erudito” para ouvir compositores “eruditos”. Basta ouvir, sem preconceitos. E é dessa exposição que surge o apreço, a identificação. Não falei também do rótulo “elitista” que muitas vezes é dado à música erudita… um grande engano: sensibilidade não é mesmo que classe social.

Podemos fazer o teste do preconceito agora mesmo. Escutem a obra Moldávia, do compositor tcheco Smetana, que descreve o curso de dois riachos – Vltava – que se unificam em um único curso, o do rio Moldávia (mostrado no vídeo passando pela cidade de Praga), através de bosques, prados e paisagens. Os redemoinhos do rio são magistralmente descritos, com música, logo no início da obra.

Faz sentido?

 

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