Prefeitura do Rio define OSB como desnecessária

Alvaro Siviero

02 de maio de 2013 | 12h40

Um resumo dos últimos e infelizes acontecimentos que rondam a OSB: o prefeito do Rio de Janeiro declarou, de modo contundente e desbragado, que a OSB não mais receberá o patrocínio da prefeitura do Rio, embora afirmasse que continuará a ajudar a OSB (de que forma?). Propôs, além disso, que a OSB – Orquestra Sinfônica Brasileira sofra uma fusão com a OPES – Orquestra Petrobrás Sinfônica, dado que o Rio de Janeiro necessita, somente, um grupo sinfônico forte.

“O Rio tem duas orquestras sinfônicas: a OSB e a OPES. Uma tem como regente Isaac Karabtchevsky, meu querido amigo. Outra tem Minczuk, com quem tenho boa relação. Os músicos que tocam nelas são, em muitos casos, os mesmos. A OSB custa R$40 milhões por ano. A outra, R$20 milhões. (…) A cidade merece ter uma orquestra sinfônica, mas a prefeitura não vai bancar vaidades”, disparou o prefeito. Desnecessário dizer que o pronunciamento levantou a ira de todos. “O dinheiro público tem que ser investido em coisas que, de fato, tragam projeção à cidade”, declarou.

Minha análise pessoal faz acreditar que a OSB poderá continuar a desenvolver seu trabalho, prescindindo deste apoio financeiro. Mas evidencia, sem sombra de dúvida, esse desinteresse preocupa. Encarar uma orquestra como maquiagem para projeção de uma cidade é, no mínimo, um engano. Hoje, em diversas cidades em que passo por motivos profissionais neste mundo afora, o Rio de Janeiro é conhecido como seara do futebol, de mulatas peladas, do samba e da cerveja.

Alguns dados importantes:

1. O prefeito não fez alusão à Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a mais antiga do Rio de Janeiro, fundada em 1931 (OSB-1940, OSB “Ópera&Repertório-2011 e OPES-1972). Ao afirmar que o Rio possui duas orquestras acabou deslizando pesado.
2. O assunto, ventilado para o grande público através dos meios de comunicação, nunca havia sido discutido anteriormente, de forma interina, com as partes interessadas.
3. A medida diminuirá a oferta de espetáculos, o mercado de trabalho e a abrangência geográfica de concertos. O presidente da Fundação OSB, Eleazar de Carvalho Filho, afirmou que, caso seja necessário fazer cortes, o conselho verificará onde o dano será menor. E o principal gasto da Fundação OSB é a folha de pagamento.
4. Em diversos países do mundo, desenvolvidos, existe uma média de 1(uma) orquestra para cada 300 mil habitantes. O Rio possui 8 milhões. Tóquio possui 11 grupos sinfônicos, e cidades como Paris, Viena, Londres… possuem, aproximadamente, 5 grupos sinfônicos em cada uma dessas cidades. Cultura virou despesa?
5. No país do futebol em que estamos, faria sentido a fusão do Vasco com o Fluminense? Ou do Flamengo com o Palmeiras? Que tipo de contenção de gastos se busca? Qual o critério para se afirmar que a OSB “não traz projeção à cidade”?

Entrei em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura, pedindo respostas a essas colocações. Tão logo as tenha, enviarei as respostas.

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