Orquestra Sinfônica de Porto Alegre – Ospa

Alvaro Siviero

23 de fevereiro de 2014 | 15h56

O Rio Grande do Sul, com seus modos particulares de vestir, falar e agir, com uma geografia que facilita maior interface cultural com países vizinhos como Uruguay e Argentina, acaba ganhando identidade própria. Quase um independente cultural. O povo gaúcho, orgulhoso de si e de seus valores, é motor de preservação.

A Ospa – Orquestra Sinfônica de Porto Alegre  www.ospa.org.br foi fundada, em 1950, com este espírito. Preservada por 14 anos somente com a colaboração da comunidade local, foi transformada em fundação em 1965 e, desde então, mantida e administrada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Após o falecimento do maestro Pablo Komlós, seu fundador, teve à sua frente diversos maestros titulares, entre eles Eleazar de Carvalho e Isaac Karabtchevsky, assim como artistas internacionalmente renomados, como o pianista austríaco Friedrich Gulda, o violoncelista russo Mischa Maisky e cantores líricos do porte de Montserrat Caballé, Luciano Pavarotti e José Carreras. Esses fatos levaram-me a querer entender melhor o que acontece com essa realidade cultural. Mas não foi só curiosidade. Foi também o desejo de não restringir o horizonte cultural brasileiro que, no âmbito da música de concerto, muitas vezes somente aterrissa nas mesmas figurinhas carimbadas, dando voltas aos mesmos artistas e limitando-se a iniciativas que surgem em SP e RJ. Há inúmeros artistas brasileiros que merecem reconhecimento superior ao que, infelizmente, a praxe tem seguido.

Atualmente, a Ospa faz a opção de não ter um maestro titular, fato que – em minha percepção – poderia ser repensado. Explico-me: um maestro contratado como titular está ao lado do grupo sinfônico quase que diariamente, brigando por ele, uma espécie de “pai da criança”que cria sua identidade sonora própria, coesão e unidade, tão importantes em uma formação sinfônica. Hoje ela é regida por diferentes maestros, convidados por seu diretor artístico, o maestro Tiago Flores, profissional dinâmico e cheio de idéias, com quem extensamente pude conversar. A presidência da Fundação Ospa encontra-se a cargo do Dr. Ivo Nesralla.

Confesso que alguns dados surpreenderam-me:  em 2011, a Ospa realizou 44 concertos, alcançando um público de mais de 76 mil pessoas. Em 2012, foram 51 apresentações. Em 2013, 48 concertos atingiram mais de 60 mil pessoas. Para 2014, a orquestra – que hoje conta com 82 instrumentistas – terá esse número de profissionais ampliado por conta de concurso que será aberto no segundo semestre. A programação para este ano, com orçamento estimado em R$12.300.000,00, prevê 62 concertos, levando sua música orquestral não somente à capital, mas também ao interior do estado, assim como apresentações previstas para a Argentina (Córdoba e Rosário). Os salários dos profissionais oscilam entre R$6.100,00 (tutti) e R$11.000,00 (spalla).

Recentemente a Ospa se apresentou, por duas vezes, no Teatro Solis (Uruguay) e, em campanha iniciada em março de 2012, iniciou as obras da futura Sala Sinfônica da Ospa, em esforço definitivo para evitar a busca de espaços alternativos para suas apresentações, como tem ocorrido atualmente. Com capacidade para 1.5 mil lugares e arrojado projeto arquitetônico, este monumento cultural será entregue à população ao final de 2015.

A imensidão de nosso país merece olhares mais atentos ao que ocorre, como diz a expressão, do Oiapoque ao Chuí.

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