Orquestra Sinfônica de Goiânia: seguindo um exemplo

Orquestra Sinfônica de Goiânia: seguindo um exemplo

Alvaro Siviero

15 de março de 2014 | 18h50

No próximo 18 de março, a Orquestra Sinfônica de Goiânia sobe ao palco para dar início à sua temporada de concertos. Em 2013, por convite recebido, acabei tendo a oportunidade de conhecer o trabalho realizado por este grupo sinfônico, visitei sua sede administrativa, conversei com os músicos e, principalmente, com o maestro Joaquim Jayme, fundador da orquestra e seu titular. Chamava a atenção o amor e dedicação dos seus 11 funcionários que, como guerreiros, colocavam o coração no chão para que o grande público pisasse macio (era enorme afluência de pessoas que, como esponjas, sorviam cada nota que era fabricada durante a apresentação).

O início da orquestra ocorreu em 1993, quando a prefeitura da cidade de Goiânia convidou o maestro Joaquim Jayme a criar uma orquestra. Desde seu início o corpo artístico possuiu oitenta músicos. A estréia – um memorável concerto ao ar livre, na Praça do Trabalhador – aglomerou uma grande quantidade de pessoas que, talvez, nunca tinham visto uma orquestra sinfônica. A execução da célebre Abertura 1812, de Tchaikovsky, foi abrilhantada por fogos de artifícios coordenados. Um sonho. 

A atual Secretária da Orquestra Sinfônica de Goiânia, Ketty Leite de Morais, contou-me de modo divertido que, até 2010, a orquestra perambulou pela cidade, em busca de um local definitivo onde realizar seu trabalho musical. “Passávamos o chapéu”. E acrescenta: “É um imenso prazer trabalhar com nossa orquestra, onde já passamos momentos de grandes dificuldades que nos serviram de experiência para trabalharmos mais e melhor.  Cada concerto é um momento de emoção única, forte, pois sinto o resultado positivo de um conjunto de pessoas que unem esforços e talentos”. Ketty é uma dessas pessoas inquietas, dinâmicas, que buscam transformar qualquer limão em limonada. Sob a visão estratégica do maestro Joaquim Jayme (que empurra o trabalho à frente do grupo sinfônico desde sua criação – à exceção do quadriênio 2000-2004), músicos e staff adminstrativo realizam um trabalho mais alinhado ao da formiga que ao da cigarra. E os resultados surgiram.

Em outubro de 2010,  a FIEG – Federação das Indústrias do Estado de Goiás, em real exercício de contrapartida social e cultural, ofereceu seu moderno e bem equipado teatro (Teatro Sesi) como sede da orquestra. Nilton Antonio Faleiro, diretor do teatro e amante da boa arte, um homem sem arestas e visionário, teve a sensibilidade necessária para perceber que, sem uma estrutura adequada, o trabalho musical não atingiria o patamar almejado. Camarins elegantes, um piano Steinway grande orquestral (com manutenção adequada), divulgação apropriada, infra-estrutura de limpeza, elegância e conforto oferecidos ao público são alguns dos ingredientes que, unidos à determinação e musicalidade do grupo sinfônico, começam a causar uma transformação cultural na cidade. “Não é verdade que o tema recorrente em nossa cidade seja somente a música sertaneja. A enorme demanda e interesse que existe para a música de concerto mostra que estamos no caminho certo”, dispara o diretor do teatro.

O maestro Joaquim Jayme, que também foi Professor Titular e Diretor da Escola Superior de Música da Universidade de Concepción (Chile), professor da Universidade de Rostock (Alemanha) e também Secretário Municipal de Cultura de Goiânia, lembra: “Um dos pontos culminantes da orquestra foi, sem dúvida, a série das sinfonias de Beethoven. Foi um grande prazer executar obras tão importantes, cobertos com o calor e entusiasmo do público, com o teatro sempre lotado”. Diversos instrumentistas estão tendo a oportunidade de partilhar sua arte com a orquestra, entre eles, os pianistas Caio Pagano e Eduardo Monteiro, o violoncelista Antônio Lauro Del Claro e Raiff Dantas Barreto, entre tantos outros artistas internacionais. “Hoje, dirigir a orquestra constitui minha única atividade, já que me aposentei da docência universitária. Confesso que me renovo todos os dias quando saio de minha casa para os ensaios e concertos. Não posso imaginar minha vida sem esta ligação com ela”, afirma seu maestro titular.

O novo Secretário Municipal de Cultura da cidade, Ivanor Florêncio, escritor e artista plástico, mostra-se absolutamente alinhado ao trabalho da orquestra, dando continuidade ao trabalho já desenvolvido na gestão anterior de Glacy Antunes. Resta-nos aplaudir esta atitude, próprios de quem entende que cultura não é despesa, mas sólido investimento.

Aos que não puderem estar nesta abertura, deixo aqui um vídeo, com o excelente pianista norueguês Leif Ove Andsnes, executando o Concerto para piano de Grieg, e a integral do programa a ser interpretado. Keep it up!

 

PROGRAMA

WILLIAMS, Ralph V – Fantasia sobre um tema de Thomas Tallis

GRIEG, Edvard H.  – Concerto para piano e orquestra, em lá menor, Op. 16
I. Allegro molto moderato 
II. Adagio
III. Allegro moderato molto e marcato – Quasi presto – Andante maestoso

NIELSEN, Carl  – Sinfonia n.4, Op. 29
I. Allegro
II. Poco allegretto
III. Poco adagio quasi andante
IV. Allegro

 

Concerto: Orquestra Sinfônica de Goiânia

Regência: Maestro Joaquim Jayme
Solista: Álvaro Siviero
Dia: 18 de março (Terça no Teatro SESI)
Horário: 20h
Local: Teatro SESI (Av. João Leite, nº 1.013, Setor Santa Genoveva. Telefone: 3269-0800)

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