Orquestra Sinfônica de Brasília: uma busca por novos desafios

Alvaro Siviero

09 Fevereiro 2013 | 19h00

 

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (ou Orquestra Sinfônica de Brasília) tem na figura do regente titular Cláudio Cohen um fato um tanto inusitado: Cohen é integrante do grupo sinfônico desde sua fundação há 33 anos. O atual regente, que atuava como violinista, deparou-se com um grande desafio quando, há dois anos, foi escolhido pelos próprios integrantes da orquestra como novo regente titular. Há menos de um mês, em uma espécie de garimpo, o jornal Correio Braziliense através de sua Revista Encontro, escolheu 14 personalidades que mudaram rumos da sociedade brasiliense. E lá estava o nome de Claudio Cohen, dividindo espaço com personalidades como o ministro Joaquim Barbosa. Em 2012 revolucionou a dinâmica da temporada, levando músicos para as ruas e pessoas não iniciadas ao teatro, além de ter dobrado a média de apresentações da orquestra (de 40 para 80). A criação de um festival gratuito de ópera foi outra novidade, atingindo público estimado em 17 mil pessoas.  Para 2013, o festival traz em seus planos títulos como Carmen de Bizet, Olga de Jorge Antunes e Lohengrin de Wagner, além dos balés O Lagos dos Cisnes e  Quebra Nozes, de Tchaikovsky. Atualmente prepara um grande projeto educacional, levando música a diversas cidades satélites do DF.

Ao largar seu violino para assumir a regência, os desafios não foram poucos. Melhor dito, a indicação de seu nome para a nova posição baseava-se em rumores de corrupção que assombraram a antiga direção artística da orquestra. Uma onda de investigações sobre fraudes financeiras se iniciou. O TCDF exigiu da Associação Pró-Amigos da gestão anterior (até 2010) a devolução, em valor corrigido, de R$650.000,00. Uma faxina moral. Mesmo com a existência de pequenos abalos sísmicos que ainda surgem,  consequentes do terremoto do passado, os estragos estão sendo monitorados. Como não se vive do passado, o momento atual é o de olhar para o futuro.

A aproximação de novos públicos é um dos objetivos do novo maestro. A escolha de repertório palatável, associado à presença de obras fortemente acadêmicas na programação, garantiu um balanceamento musical que tem mostrado resultados. Nada de conteúdo “hermético”, “indigesto”. Trata-se de ampliar e divulgar o gosto pela música de concerto. “Por trabalhar em órgão público necessito ser zeloso em minhas responsabilidades, atendendo a sociedade”, declara Cohen. No último ano, recebeu título de cidadão honorário de Brasília. Formado pela Escola de Música,  possui graduação em Direito. Os pais são advogados e a mãe é também pianista. Aos 5 anos, Cláudio já tocava piano e, dois anos depois, conheceu o violino. Estudou também sopro, percussão e violão. Mas pelo que tudo indica a regência é sua verdadeira profissão, já tendo atuado na Itália, Argentina, com concertos já agendados para Alemanha, Portugal, Áustria, Equador, México, Chile, Vietnã.

Se tanto se fala em descentralização da cultura, porque não eleger Brasília para que se transforme na nova sede de música feita de modo sólido e sério? Afinal de contas nossos governantes estão por aí…