O Quebra-Nozes e a Clara que todos trazemos dentro!

Alvaro Siviero

18 de dezembro de 2012 | 17h16

É noite de Natal. A mansão da família Stahlbaum recebe efusivamente seus familiares e amigos. Os pequenos Clara e Fritz dançam e brincam. Drosselmeyer – um fabricante de brinquedos e relógios, brincalhão, cheio de surpresas – traz alegria a todos os convidados, com seu jeito afável e carismático. Mas, sobretudo, é sobre a pequena Clara que recairá um dos momentos marcantes da estória: Drosselmeyer a presenteará com um brinquedo que se tornará o centro das atenções da festa: um Quebra-Nozes em formato de soldadinho de chumbo. O pequeno Fritz, tomado de inveja, avança para o brinquedo, rompendo-o. A pequena Clara,  inconsolável, mais uma vez recebe a ajuda de Drosselmeyer que, utilizando-se de dotes mágicos, conserta o Quebra-Nozes com a ajuda de um lenço mágico. Quando a noite avança, enquanto Clara deita-se debaixo da árvore de Natal verificando se o brinquedo readquiriu seu perfeito estado, o sono chega. Clara adormece com o soldadinho em seus braços.

Estranhas coisas começam a ocorrer quando o relógio marca meia noite: Clara encolhe, a árvore de Natal se agiganta, os brinquedos começam a ganhar vida e um exército de camundongos invade a sala. O Quebra-Nozes, que se encontrava adormecido nos braços da pequena garota, desperta com um salto para iniciar um verdadeiro contra os camundongos e seu rei. Seguem-se diversos embates e situações limites. A vida do Quebra-Nozes corre risco. Clara, em um rompante generoso, une-se ao Quebra-Nozes no combate e, juntos, conseguem matar o rei. Os camundongos dispersam-se. E o Quebra-Nozes se transforma em belo príncipe.

Juntos, viajam pela floresta encantada da Terra das Neves onde são recebidos por flocos de neve dançantes.  A seguir, o príncipe conduz Clara à Terra dos Doces, onde são recebidos pela Fada Açucarada que, ao tomar conhecimento do extenuante combate do soldado, recompensa-o com um conjunto de danças repletas de caráter de celebração:  Dança Espanhola, Dança Árabe, Dança Russa, Dança Chinesa, Dança Mirliton e Valsa das Flores. Abaixo, a Dança Russa e a célebre Valsa das Flores, com a presença da pequena Clara e do Quebra-Nozes.

 

 

O sonho termina. Ao despertar do sonho que a refez, Clara se vê debaixo da árvore, abraçada ao seu Quebra-Nozes. A estória, baseada no conto “O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos”, de E.T.A. Hoffman recebeu uma segunda versão pelo escritor francês Alexandre Dumas, o que deu origem ao famoso ballet Quebra-Nozes, imortalizado pela música de Tchaikovsky.

Um sonho, sabemos, não é realidade. Mas sonhar é preciso.  O Natal nos convida a isso. Mais do que isso, o Natal ensina a sonhar  sonhos de valor, sonhar com o que não caduca, com o que tem valor.

Valiosa é uma amizade. Valiosa é a dedicação sincera dos pais aos filhos. Valiosa é a atitude da pessoa que sabe perdoar e pedir perdão (e sempre achamos que os outros são os errados). Tem valor o que permanece. Os contravalores da sociedade atual – poder, riqueza, fama, beleza, sucesso, saúde – passam. É tragicômico o empenho de algumas pessoas em não aceitar que envelhecemos, embrenhando-se em plásticas, botox, lipoaspirações, e retoques sem fim. Não julgo a conveniência disso. Julgo  o valor que se dá a isso. Há quem brigue por dinheiro. Outros por um canal de televisão. Pelo que brigamos? Pelo que sonhamos?

O ano de 2013 terá o valor que cada um merece. Vencer-se.  Crescer no que é o permanente: nos valores, nas qualidades e virtudes humanas de relação, no crescimento ético e de caráter,  no valor à palavra dada, no empenho em formar amizades reais e não virtuais), em amar de verdade. É possível sonhar grande. E assim  viajaremos por terrenos insuspeitados de realização humana – nossas florestas encantadas – tal como ocorreu à pequena Clara. Muito mais importante do que gravar o nosso nome em uma folha de jornal, ou em uma calçada, é gravar nosso nome no coração das pessoas que passam ao nosso lado. 2013 está aí. A decisão é sua!

Cada um de nós é o tamanho do seu sonho.

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