O Messias, de Haendel, em São Paulo!

O Messias, de Haendel, em São Paulo!

Alvaro Siviero

19 de julho de 2014 | 19h31

Não faz muito tempo, na Abadia de Westminster, em Londres, visitei o túmulo do compositor barroco Georg Friedrich Haendel, que se imortalizou, principalmente, por compor o Oratório “O Messias”. O gênero musical Oratório é muito semelhante à ópera em sua estrutura cantada e de conteúdo narrativo. Diverge, no entanto, por não ser destinado à encenação. Com temática não necessariamente religiosa, o gênero foi também explorado no Barroco por Bach e Vivaldi e, no Classicismo, por Haydn. É dentro do Oratório “O Messias” que encontramos o célebre e imortalizado Hallelujah.

Alemão, naturalizado cidadão britânico, Georg Friedrich Haendel (Halle an der Saale, 1685 – Londres, 1759) compôs a obra em Londres, em somente 24 dias (a parte orquestral em 2 dias), no ano de 1741. Contam os relatos que Haendel foi tomado pela obra: não saia de casa, era frequentemente surpreendido com o olhar perdido em um imaginário fixo, esquecia de se alimentar. Um inconsciente do mundo. Consta que certo dia o criado o encontrou lacrimejando: o Hallelujah havia sido finalizado. Com emoção que lhe lhe dificultava a voz, disse que “julgava ver diante de mim o Paraíso e até o próprio Deus”. Hostilizado pelos ingleses, após 30 anos de permanência em Londres, decidiu estrear “O Messias” em Dublin, cidade para onde pensava em se transferir após tantas manifestações de apreço que havia recebido dos irlandeses. A estreia ocorreu no Music Hall da Fishamble Street, no dia 13 de abril de 1742, sob a regência do próprio autor. O recinto, com capacidade para 100 pessoas, recebeu mais de 700 assistentes, que se aglomeravam pelas ruas. Um estrondoso êxito. Inevitavelmente, a 23 de março de 1743, ocorreu a estreia em Londres, com a presença do rei. Relatam as crônicas da época que, emocionado pela beleza do Hallelujah, o monarca se pôs de pé, permanecendo assim até a finalização do trecho, no que foi acompanhado respeitosamente por todos os presentes, firmando-se como uma das obras corais mais conhecidas na música ocidental.

Nos próximos dias 22, 26 e 27 de julho, sempre às 21h, a preços populares, será a apresentada na Sala São Paulo a versão integral da obra, contando com a participação do Coral da Cidade de São Paulo (são mais de 200 cantores) e a Orquestra Acadêmica de São Paulo, sob a batuta do maestro Luciano Camargo, com a participação dos solistas Luísa Kurtz (soprano), Luciana Pansa (contralto), Giovanni Tristacci (tenor) e Sebastião Teixeira (barítono). Nos últimos quinze anos, na cidade de São Paulo, contam-se nos dedos de uma só mão as temporadas de concertos com “O Messias” integralmente interpretado. A mais recente das apresentações ocorreu há 6 anos, com a OSESP, sob regência de Claudio Cruz.

Corram!

 

 

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