Meretrizes, traviatas, cortesãs… e a história de uma paixão

Alvaro Siviero

29 de novembro de 2011 | 14h54

Marie Duplessis (seu verdadeiro nome era Alphonsine Plessis), uma famosa cortesã conquistadora de ricos cavalheiros, encantou por diversos anos os centros elegantes de Paris. Em 1884, na plenitude de sua beleza, deixou o escritor Alexandre Dumas de tal forma apaixonado que chegaram a passar juntos um verão em Saint Germain. Contudo, consciente da frustração gerada por amores vazios, um querer matar a sede com água do mar, Dumas rompe com a relação. Duplessis une-se, então, a nada menos que Franz Liszt, que parece ter sido a grande paixão de sua vida. Em 1847, vitimada pela tuberculose, e em total miséria, falece aos 23 anos de idade. Transformada por Dumas em Marguerite Gautier, a figura de Marie Duplessis deu fama ao escritor na obra A Dama das Camélias, inspirada na sofrida cortesã. Dumas decidiu convertê-la em frívola cortesã, por quem um jovem sonhador se apaixona perdidamente (coincidências?). No final, Violetta é redimida pelo amor, após diversos mal entendidos, impossíveis de serem plasmados aqui em palavras. O pai de Alfredo, por um motivo aparentemente justificável, propõe o que não deveria ter sido proposto, gerando uma cascata de tristes desdobramentos. Como diria um amigo meu: é muito rolo!

A obra, adaptada para o teatro, escandalizou e comoveu a sociedade européia da época. Giuseppe Verdi (1813-1901), fascinado pelo romance, decide transformar a peça em ópera, mudando o nome da heroína para Violetta Valery. O jovem apaixonado passou a chamar-se Alfredo Germont e o seu rival Varville.

A ópera, intitulada La Traviata, estreou em Veneza, em 1853, em retumbante fracasso. O público explodira em gargalhadas quando o médico anunciou a morte, por tuberculose em último grau, da esquálida Violetta, cujo papel era interpretado pela robusta soprano Fanny Salvini. O tenor estava rouco e o barítono totalmente apagado no papel do apaixonado Alfredo. Mas, no ano seguinte, a ópera foi novamente encenada, desta vez contando com uma linda, esguia e frágil Violetta, com êxito apoteótico e consagrando definitivamente a obra. Abaixo, dois momentos marcantes da ópera – o Brindisi e a morte de Violetta – em versão arrojada, realizada no Festival de Salzburg, com Anna Netrebko e Rolando Villazón nos papéis principais .

Alphonsine Plessis, ou Marie Duplessis, a verdadeira “La Traviata”, está enterrada em Montmartre, e seu túmulo raramente fica sem flores: mãos desconhecidas ali colocam camélias, até hoje.

 

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