Mensalão, Gottschalk e um desabafo

Alvaro Siviero

19 Setembro 2013 | 11h19

Peço perdão por utilizar este espaço público – onde publico fatos, não subjetivismos – para manifestar minha surpresa. Foi tecida uma das páginas mais tristes da nossa história. Pior do que a corrupção é encontrar, em quem tem o dever de julgá-la, razões jurídicas para encobertá-la. Havia razões de sobra para que os embargos não fossem acolhidos, o que gerou profunda incoerência e incongruência no sistema de normas, com fundamentações que mais soaram a justificativas do que fundamentação de voto. Leis que são aberrações. O Direto ferindo a justiça. Enquanto isso, pessoas envelhecem em uma cadeia por terem roubado um pacote de margarina.

Como brasileiro, amanhã, dia 20 de setembro, em recital que farei no MAM – Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, avisarei aos presentes uma mudança de repertório: abrirei o programa com a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Gottschalk. A obra não consta no programa. Mas, neste momento, minha vergonha de ser brasileiro me impele. Durante a interpretação, de olhos fechados, lembrarei de todos aqueles que invadiram as ruas deste nosso país exigindo justiça e paz. E buscarei transformar o piano em uma enorme bandeira verde e amarela, que levantarei bem alta. Ninguém é eterno. Nem mesmo nossos governantes.

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