Luciano Huck, Zubin Mehta e a reconstrução da cultura

Alvaro Siviero

02 de setembro de 2012 | 15h21

Ontem, dia 01 de setembro, foi um dia em que aconteceu um pouco de tudo. Ou melhor, muito de tudo. Cansado, enquanto dava uma espiada em meus emails, deparei-me com um comentário que relacionava Zubin Mehta ao Programa Caldeirão do Huck. Pensei que fosse mais uma dessas brincadeiras. Mas não era. A notícia rapidamente correu não somente o mundo da música erudita, mas os lares de diversas famílias empenhadas em transmitir a seus filhos algo mais que entretenimento barato. Luciano Huck, mesmo dentro do formato de programa que lhe compete, conseguiu inserir algo a mais dentro da programação que, infelizmente, os programas de auditório muitas vezes são fadados a seguir. O berço que ali existe – talvez o amor de seu pai pela boa música – possa explicar o empenho colocado, além do trabalho realizado pela Sinfônica de Heliópolis e, muitos já o sabem, ser o Luciano Huck um profissional zeloso e preocupado não somente em ajudar pessoas mas em também resgatar a auto-estima daqueles aos quais a vida não reservou muitas perspectivas. O depoimento do maestro Osvaldo Colarusso, publicado no Jornal Gazeta do Povo, abaixo, é vívido. Que sonho ter uma Rede Globo de Televisão investindo em reconstruir a verdadeira cultura.

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Fim da tarde. Saí com meu cachorro, para aproveitar o belo fim do dia e entrei numa padaria para tomar uma “média”. Estranhei uma coisa na televisão da padaria. Vi um dos maiores maestros do mundo. Reconheci Zubin Mehta. Não acreditei no que estava vendo. Zubin Mehta no Caldeirão do Huck. Quando cheguei em casa fiz uma busca na internet e consegui ver dois vídeos do programa. Num deles Luciano Huck , com uma extrema simpatia, visita a sede de uma orquestra que fica no meio de uma das maiores favelas do Brasil. Nessa sua extrema simpatia mostrou a todos jovens simples, tímidos , e extremamente competentes. Histórias reais de pessoas humildes que tiveram a chance de terem suas vidas transformadas pela musica. E pela primeira vez na historia da televisão brasileira um artista de musica erudita de primeira grandeza, um dos maiores maestros da atualidade, aparece num programa de auditório extremamente popular como o Caldeirão do Huck. Na padaria eu quase pedi para a moça do caixa me beliscar, pois não estava acreditando. Zubin Mehta no Caldeirão do Huck.

Zubin Mehta , com todo o seu carisma e sua competência fez com que uma plateia acostumada com outro tipo de musica prestasse atenção num tipo de som estranho para a maioria. E a orquestra demonstrou uma grande maturidade, seguindo com classe os claros gestos do maestro indiano.

Não sei se Luciano Huck tem ideia do bem que ele fez. Não só aumentou bastante a auto estima dos jovens músicos, mas mostrou a milhares de pessoas que musica clássica não morde nem faz mal. Se Luciano Huck não faz ideia, tenho certeza que Zubin Mehta tem total consciência do que significa o seu gesto. Ao aparecer num programa de auditório, e até dando uma curta aula de regência para Luciano Huck, ele sabe que despertou inúmeros patrocinadores e uma simpatia irrestrita para a musica clássica num país tão carente de boas escolas de musica e de educação no senso mais básico da palavra. Além disso, por ser ele quem realmente é sua atuação foi cercada de honestas intenções de colaborar. Ao contrario de artistas “eruditos”de quinta categoria que às vezes aparecem em programas de auditório, ele estava longe de se promover. Ele não precisa disso. Bravo Maestro!!!!

Hoje, primeiro de setembro de 2012, pode ser considerado um dia histórico para a musica clássica no Brasil. Ela adentrou em um espaço reservado para algo comercial, “popularesco”. Meu muito obrigado a todos, produtores, músicos, Maestro, apresentador, por quase pedir à moça do caixa para me beliscar.

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