Lava Jato musical: a condenação da soprano Montserrat Caballe

Lava Jato musical: a condenação da soprano Montserrat Caballe

Alvaro Siviero

15 de dezembro de 2015 | 15h01

 

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A cantora lírica Montserrat Caballé foi condenada a meio ano de prisão e pagamento de uma multa de 254.231 euros por fraude fiscal quando, em 2010, desviou meio milhão de euros dos impostos devidos à Fazenda. “Sim, ratifico”, foram as únicas palavras proferidas pela soprano em reunião realizada por videoconferência, desde sua casa, por motivos de saúde, e a portas fechadas.

A soprano reconheceu o desvio de meio milhão de euros de sua declaração de imposto de renda de 2010 – quantia essa já devolvida – com atitude desarmada, diferentemente de sua postura ocorrida no último mês de maio quando, intimada a depor, não somente não compareceu à sessão como nem sequer deu explicações sobre os motivos de sua ausência. Seu advogado de então, à luz de tal atitude, renunciou a defendê-la.

O acordo e a sentença de prisão, redigida no dia de hoje por juíz da vara de Barcelona, impossibilitará a artista, durante um ano e meio, de receber subvenções públicas ou de gozar de benefícios ou incentivos fiscais em projetos culturais que participe. A ação movida contra a soprano, de 82 anos de idade, iniciou-se em abril de 2014 quando, alegando falsamente ser residente de Andorra, a artista “driblou” os tributos devidos de suas remunerações por apresentações ocorridos em 2010 por diversas cidades da Espanha, Alemanha, Suíça, Itália, Lituania, República Checa, Rússia e Ucrânia, bem como por gravações realizadas em Moscou, Genebra e Bracelona, pelo qual Caballe teria sido remunerada em mais de 2 milhões de euros.

Montserrat Caballe atingiu o estrelato na noite de 20 de abril de 1965 quando, às pressas, substituiu a cantora Marilyn Horne, na ópera Lucrezia Borgia, no Carnegie Hall de NY. Sua atuação rendeu-lhe longos 25 minutos de aplausos. Sua versatilidade em estilos e repertórios, unido ao volume de gravações – mais de 130 – a colocaram no patamar de uma das maiores divas do cenário lírico atual. É por isso motivo, entre outros, que o fato torna-se chocante.

À luz da realidade política brasileira em que vivemos, fica o exemplo da sua honestidade – embora tardia – em assumir os próprios erros, devolver aos cofres públicos o devido e pagar as consequências de ações desastradas. O “eu não sabia de nada” não encontrou espaço nesta artista que, durante anos, encantou o mundo. E, como me diz um sábio tio, a verdade sempre aparece. “Um dia a casa cai”, afirma ele. Aqui se faz, aqui se paga. É só uma questão de tempo.

http://www.rtve.es/noticias/20151215/montserrat-caballe-acepta-ante-juez-condena-seis-meses-fraude-fiscal/1274042.shtml

 

 

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