Janine Jansen e Orchestre Philharmonique du Luxembourg apresentam-se em São Paulo

Janine Jansen e Orchestre Philharmonique du Luxembourg apresentam-se em São Paulo

Alvaro Siviero

17 de setembro de 2019 | 11h01

Quem não se lembra do filme Le Concert, que arrebatou igualmente os corações dos amantes do cinema e da música? Andrei Simoniovich Filipov – renomado maestro da Orquestra Bolshoi, demitido por contratar músicos judeus – encontra na função de faxineiro do teatro o seu ganha pão. Tudo muda quando, em um belo dia, descobre por acidente que o Teatro Châtelet em Paris convida a Orquestra Bolshoi a se apresentar nesta célebre casa de concerto. Reunindo seus ex-músicos, monta um plano para clandestinamente substituírem a verdadeira orquestra. A obra a ser interpretada é o célebre Concerto para violino e orquestra em ré maior, Op.35, do compositor russo Piotr Tchaikovsky. Como violonista solo para acompanhar seus antigos músicos judeus ou ciganos, Filipov exige a presença da violinista Anne-Marie Jacquet, uma jovem virtuose. E é durante a execução da obra que toda a narrativa é desvendada.

É exatamente esta obra que será interpretada pela aclamada violinista holandesa Janine Jansen que, ao lado da Orchestre Philharmonique du Luxembourg (OPL), com regência do valenciano Gustavo Gimeno, no próximo dia 21 de setembro, às 21h, na Sala São Paulo. No dia 22 de setembro, outro ícone do repertório concertístico para violino: o Concerto para violino e orquestra em mi menor, Op.64, do alemão Felix Mendelssohn. As duas apresentações são promovidas pelo Mozarteum Brasileiro que, desde 1981, ganhou sólido prestígio por seu objetivo de valorizar e difundir a cultura musical.

A OPL, fundada em 1933 pela Rádio de Luxemburgo, conhecida por sua elegância artística, estará em peso no palco da Sala São Paulo com seus 98 músicos oriundos de mais de 20 países. A orquestra é reconhecida internacionalmente, tendo recebido os mais disputados prêmios da música: Grammy, Grande Prêmio Charles Cros, Preis der Deutschen Schallplattenkritik, BBC Music Choice, entre outros (fotos abaixo). Convidada especial para as duas noites de concerto, a solista holandesa Janine Jansen sempre foi prodígio: teve o primeiro contato com violino aos seis anos, incentivada por seus pais, ambos músicos. Aos dez anos ganhou o primeiro concurso, aos 19 estreou para o público em um concerto da Royal Concertgebouw, uma das mais aclamadas orquestras do mundo, e aos 23, iniciou performances como solista. Já chegou a fazer mais de 150 concertos por ano.

Sempre muito intimista em suas interpretações, Janine Jansen promete um espetáculo repleto de sensibilidade, entusiasmo e técnica. A solista foi descrita pelo The New York Times como uma instrumentista “de tom radiante e técnica ardente, que transmite comunicação, paixão e performances marcantes”. Ela toca um Stradivarius 1707 “Rivaz – Baron Gutmann”, e vem acumulando diversas premiações em sua trajetória, como o Prêmio Concertgebouw, o Prêmio MusikFest de Bremen, o Prêmio de Instrumentista da Real Sociedade Filarmônica.

Assim como o zinco e o estanho, juntos, formam o bronze (uma liga metálica divergente dos elementos que a formou), a união da OPL com Jansen criará um momento único e indescritível aos que ali estiverem presentes. Gustavo Gimeno, que em 2015 assumiu a direção artística e regência titular da Orchestre Philharmonique du Luxembourg,  será o responsável por esta reação química. É esperar para ver. E, como diz o ditado, o melhor da festa é esperar por ela.

Com apoio do Mozarteum Brasileiro, integrantes da Orquestra promoverão masterclasses durante a passagem por São Paulo. As aulas serão no dia 20 de setembro, das 10h às 13h, na sede da EMESP Tom Jobim, em atividade gratuita e aberta para ouvintes, com os seguintes músicos:
Philippe Koch (spalla) | música de câmara com cordas e piano
Dagmar Ondracek | viola
Fabrice Mélinon | oboé
Jean-Philippe Vivier | clarinete
Leo Halsdorf | horn


ORCHESTRE PHILHARMONIQUE DU LUXEMBOURG
Gustavo Gimeno, regente
Janine Jansen, violino

20 e 21 setembro – 21h | Sala São Paulo
Ingressos/Setores: R$120 (D); R$200 (C); R$320 (B); R$400 (A)

Programa:

20 de setembro

Franz Schubert (1797 – 1828) – Abertura de “A Harpa Mágica”
Piotr Tchaikovsky (1840-1893) – Concerto para violino e orquestra em ré maior, Op.35
Antonín Dvořák (1841 – 1904) – Sinfonia n.9 em mi menor, Op.95


21 de setembro

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) – Abertura Coriolano
Felix Mendelssohn Bartholdy (1809 – 1847) – Concerto para violino e orquestra em mi menor, Op.64
Johannes Brahms (1833 – 1897) – Sinfonia n.1 em dó menor, Op.68

 

INFORME OFICIAL MOZARTEUM BRASILEIRO

A violinista holandesa precisou cancelar sua vinda à América do Sul por motivos de saúde. A solista, que estava confirmada para se apresentar nos dois concertos que a Orchestre Philharmonique du Luxembourg (OPL) realizará nos dias 20 e 21 de setembro, na Sala São Paulo, foi diagnosticada com uma tromboflebite no braço esquerdo e está impedida de viajar.

Simone Lamsma, de excelência igualmente reconhecida, substituirá Janine Jansen nos dois concertos em São Paulo. A substituição não altera os programas.  A Orchestre Philharmonique du Luxembourg, com regência do espanhol Gustavo Gimeno e Simone Lamsma como solista convidada, apresenta  dois programas com obras de Schubert, Tchaikovsky, Dvořák, Beethoven, Mendelssohn e Brahms.

Simone começou a estudar violino aos cinco anos de idade. Aos 14, fez sua estreia profissional como solista, tocando com a North Netherlands Orchestra, atuação enaltecida pela crítica. Continuou seus estudos na Royal Academy of Music de Londres, onde se graduou aos 19 anos com distinção de melhor aluna e prêmios de prestígio. Em 2019 tornou-se membro da Royal Academy of Music de Londres, uma honraria limitada a 300 ex-alunos que se destacaram na profissão.

Além de muitos prêmios e distinções internacionais, Simone Lamsma foi premiada, em 2010, com o Dutch VSCD Classical Music Prize na categoria “Músicos da Nova Geração”, concedido pela Associação de Teatros e Salas de Concerto da Holanda a artistas com valiosa e notável contribuição à cena holandesa de música clássica.

Com um repertório extenso, que inclui mais de 60 Concertos de Violino, Simone Lamsma tem se apresentado com as mais importantes orquestras internacionais. A prodígio musical acaba de realizar concertos de enorme sucesso com a Orquestra Filarmônica de Nova York e a Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdam. “Simone Lamsma toca esplendidamente, com nitidez e som luminoso, radiante, transmitindo tanto o fervor rapsódico quanto o pensamento intrigante contido na música”. A descrição do The New York Times sobre Simone reflete como a violinista é respeitada por críticos, colegas de profissão e público, como uma das musicistas clássicas com personalidade mais impressionante e cativante do momento.

Simone Lamsma vive na Holanda e toca um violino “Mlynarski” Stradivarius (1718), que lhe foi generosamente cedido por um mecenas anônimo.

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