Jamil Maluf e Sinfônica de Piracicaba na Sala São Paulo

Jamil Maluf e Sinfônica de Piracicaba na Sala São Paulo

Alvaro Siviero

16 Dezembro 2016 | 15h33

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Jamil Maluf é figura carimbada do cenário musical. Em seus mais de trinta anos dedicados ao Theatro Municipal de São Paulo, do qual foi Diretor Artístico entre os anos 2005 e 2009, lapidou centenas de instrumentistas com sua musicalidade e caráter combativo, além de suas funções como regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem e, posteriormente, como fundador e paizão da Orquestra Experimental de Repertório. Um homem inquieto, repleto de ideias. E um maestro que realizou a façanha de receber quatro prêmios APCA na categoria Melhor Regente (Associação Paulista dos Críticos de Arte). No ano 2000, assumiu a regência da Orquestra Sinfônica do Paraná e, em 2013, seu programa Intérprete, da Rádio Cultura FM. Há pouco mais de 2 anos, Jamil Maluf, decide olhar para dentro de suas próprias raízes após ter olhado para o mundo, dedicando-se à reestruturação do conjunto de música erudita com maior tempo em atividade no país: a Orquestra Sinfônica de Piracicaba, fundada em 1900, em sua própria cidade natal. Parte desse esforço concretiza-se no próximo domingo, 18 de dezembro, às 11h, quando Maluf conduzirá a Orquestra Sinfônica de Piracicaba, pela primeira vez, à Sala São Paulo.

“Esta é a oportunidade para a Orquestra Sinfônica de Piracicaba, que tem como palco fixo o Teatro Erotídes de Campos, em Piracicaba, mostrar seu trabalho ao público da importante Sala São Paulo,  assim como fizemos, em julho, no bem-sucedido concerto do 47º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão”, diz o maestro. Ao aceitar o convite para este projeto de reestruturação, não foi pouca a surpresa ao verificar que o processo seletivo para admissão de 60 instrumentistas atraiu os olhares de quase 300 músicos de praticamente todos os estados do Brasil  que, hoje, após transformarem um sonho em realidade, oferecem uma temporada regular de concertos, com 12 programas sinfônicos ao ano.

A apresentação deste domingo, com duração de 1 hora, encerra-se dentro da série Concertos Matinais, promovida sempre aos domingos pela Fundação OSESP. No dia anterior, 17 de dezembro, às 17h, a OSP realizará o mesmo programa, em Piracicaba. Reconhecida por leis municipal e estadual como entidade de utilidade pública, a OSP manteve-se, ao longo dos anos, de concertos esporádicos, a partir do empenho de entusiastas da música erudita. Atualmente desenvolve trabalho pedagógico a 7.500 mil alunos da rede municipal, através dos projetos Música nas Escolas e ABC do Dó Ré Mi, além da palestra O Meu Concerto de Hoje que sempre ocorre antes dos concertos regulares da temporada. Em sua atual fase, a OSP desenvolve suas atividades com recursos da Prefeitura do Município de Piracicaba e patrocínio de empresas privadas, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.

In Tempo

Abaixo, um breve ping-pong com o maestro

Quais são seus planos futuros para a OSP?
Elevar a quantidade de programas anuais que, em 2016, foram 13 (treze). Ampliar ainda mais os projetos didátic”A, B, C do DÓ, RÉ, MI” (espetáculos mensais no Teatro do Engenho) e “Música nas Escolas”, em que quartetos de cordas e de sopros (madeiras e metais) visitam os alunos nas salas de aula.

A bem sucedida reestruturação da OSP – apesar das dificuldades e desafios – aparentemente vai na contramão de outras instituições musicais que se fecham. Ao que você atribui isso?
Jamais conheci uma situação de orçamento alto em minha vida profissional. Portanto, é extrair o máximo do mínimo ou, simplesmente, não fazer. Com a OSP essa situação agira se repete. Mas, como sou um músico que se interessa também pelos aspectos administrativos dos projetos em que se envolve, me acostumei a ir atrás de soluções que viabilizem esses projetos.

Qual o principal aspecto – em sua visão – que um músico deve levar em consideração para ser um profissional realizado?
Um músico que não estende pontes de relação com a comunidade onde será inserido tende ao fracasso, ou a depender de apadrinhamentos de ocasião o que, na minha opinião, é uma forma de fracassar também. Não ter medo de ousar, sempre!

Programa
Ralph Vaughan Williams – Cinco Canções Místicas (Five Mystical Songs), com participação do barítono Leonardo Neiva.
Alberto Nepomuceno – Sinfonia em Sol Menor

Onde: Sala São Paulo –  Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos
Quando: Domingo, 18 de dezembro, às 11h.
Ingressos disponíveis na bilheteria do 1º subsolo da Sala São Paulo a partir da segunda-feira, 12, limitados a quatro por pessoa. A partir de cinco ingressos, será cobrado o valor de R$ 2 por ingresso (até quatro por pessoa). . Informações: (11) 3223-3966 e www.sinfonicadepiracicaba.org.br