Hoje e amanhã, um encontro histórico

Hoje e amanhã, um encontro histórico

Alvaro Siviero

05 de fevereiro de 2015 | 10h20

Leandro Carvalho

 

Hoje (05/02) e amanhã (06/02), a preços populares, o maestro Leandro Carvalho e a Orquestra do Estado do Mato Grosso promovem um encontro com o violonista Yamandú Costa que promete ser histórico. As duas récitas que ocorrem no SESC Pnheiros (Teatro Paulo Autran), sempre às 21h, marcarão o lançamento do CD Concerto de Fronteira, inspirado na obra homônima de 3 movimentos, composta pelo próprio Yamandú Costa, com orquestração realizada pelo também violonista Elodie Bouny. Para o lançamento da obra Concerto de Fronteira – um diálogo entre a tradição da música de fronteira argentina, brasileira e paraguaia – Yamandú Costa terá o acompanhamento de 20 músicos regidos por Carvalho. Poucos sabem, no entanto, que como violonista, Carvalho já gravou 9 CDs, lançados no Brasil e exterior, com destaque para os duos com Turíbio Santos e Baden Powell, realizando concertos no Brasil e exterior em salas de grande prestigio, como o Royal Festival Hall, em Londres.

Yamandu-Leandro Carvalho

Fundador da Orquestra do Estado de Mato Grosso e seu atual diretor artístico e regente principal, o maestro Leandro Carvalho fez residência artística (conducting fellowship) na prestigiada Philadelphia Orchestra, nos Estados Unidos, foi regente assistente na Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro, chegando a ser apontado como um dos dez artistas de maior importância na última década na música de orquestra no Brasil pela publicação “Viva Música!”. De espírito inquieto, combativo, cheio de ideias, Carvalho assumiu recentemente a Secretaria de Cultura do Estado do Mato Grosso.

 

Veja abaixo, trechos de um bate-papo com o Secretário Estadual de Cultura e maestro Leandro Carvalho

A sua vida profissional ganhou novos rumos. Como compatibilizar a regência com a intensa agenda de Secretário de Cultura Estadual?
É um desafio. Organizei-me para dirigir apenas uma parte dos concertos da Orquestra de Mato Grosso. Outros convites, de outras orquestras, terão que ser postergados. A dificuldade maior é tempo para preparar novos repertórios. Tempo de solidão, de reflexão, para desenvolver internamente ideias artísticas. Faz parte da doação individual que a posição exige.

Em uma visão de caráter mais abrangente, quais são os desafios da cultura no Brasil?
De forma geral, é preciso estabelecer processos mais transparentes e descentralizados, incluindo a distribuição mais igualitária de recursos. A concentração é ainda muito grande no Sudeste. É um pleito antigo, mas que nunca avança. Os profissionais da Cultura investiram muito tempo e energia em se capacitar, sendo capazes hoje de apresentar e gerir bons projetos, porém os recursos não acompanharam esta evolução.

As apresentações da Orquestra do Estado do Mato Grosso traçam um cross-over musical, integrando outros elementos regionalistas ou do rock, entre outros, que quebram os paradigmas da estrutura sinfônica voltada à música de concerto. O que você tem a dizer sobre isso?
É preciso pensar em novas formas de relacionamento das orquestras com a comunidade. A OEMT vem buscando novos caminhos, novas sonoridades, vem valorizando a cultura musical da região onde se encontra, e com isso criou um forte laço com as pessoas. Arriscamos muito. Algumas coisas deram mais certo do que outras, mas o importante é a busca, é sair da ‘zona de conforto’. Creio que cada orquestra deve buscar seu próprio caminho, sua singularidade, e não passar o tempo todo (tentando) imitar a Filarmônica de Berlim.

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