Gidon Kremer desembarca no Brasil

Gidon Kremer desembarca no Brasil

Alvaro Siviero

20 de junho de 2016 | 19h16

M?nchner Philharmoniker / Christian Thielemann Philharmonie im Gasteig, M?nchen 3.3.2010

Munchner Philharmoniker / Christian Thielemann – Philharmonie im Gasteig

Nesta tarde fria, de quase início de inverno, ao lado de um bule de chocolate quente espessado ao rum, entrei em êxtase ao ouvir novamente a interpretação do Concerto para violino e piano de Mendelssohn, com a pianista argentina Martha Argerich e o violinista letão Gidon Kremer. Pura magia. Menos pelo chocolate, mais pela música. A incrível fusão desses dois artistas na execução é tão surpreendente quanto o som nítido, seguro, afinado, encorpado – que emociona – do violino de Kremer. E neste momento reconfirmei em pensamento minha presença nas apresentações que Gidon Kremer realizará na Sala São Paulo, dias 21 e 22 de junho, às 21h, pelo Mozarteum Brasileiro, em um dos momentos ápices de sua temporada.

Gidon Kremer dispensa apresentações. Laureado em diversos concursos internacionais – Rainha Elisabeth (1967, terceiro lugar), Concurso Internacional de violino de Montreal (1969, segundo lugar) e Concurso Paganini de Gênova (1969, primeiro lugar) – conquistou o mundo com o primeiro prêmio no Concurso Internacional Tchaikovsky (1979). Sua discografia é extensa. Já gravou de tudo. Somente com o selo Deutsche Grammophon, com quem trava parceria há quase 40 anos, contribui com mais de 70 discos. Com Argerich gravou a integral das sonatas de Beethoven, Schumann, Prokofiev, entre muitos outros. Gravações antológicas.

Músico inquieto, propulsionou diversos festivais de música, entre os quais o de Lockenhaus (Áustria), iniciado em 1981, destacando e vertendo especial interesse em obras novas, não convencionais. O festival, a partir de 1992, passa a ser conhecido como Kremerata Música e é nele onde, cinco anos mais tarde (1997), surge sua Kremerata Báltica, formada por músicos da península báltica (Estônia, Letônia e Lituânia). Nos últimos 18 anos, a Kremerata Báltica realizou mais de 1.500 concertos, em mais de 600 cidades de mais de 50 países. Os músicos, dentro do projeto educacional fomentado pelo Mozarteum, na manhã do dia 22, na sede da EMESP-SP, ministrarão masterclass com direito a bate-papo com Gidon Kremer, a partir das 10h.

Para os não iniciados em música, dizer que a Kremerata Báltica já se apresentou em colaboração com músicos do porte de Jessye Norman, Martha Argerich, Evgeny Kissin, Michail Pletnev, Oleg Maisenberg, Daniil Trifonov, Vadim Repin, Mischa Maisky, Yo Yo Ma, Sir Simon Rattle, Esa-Pekka Salonen, Christoph Eschenbach, Kent Nagano, Vladimir Ashkenazy, entre outros, pode soar ininteligível. OK. Seria o equivalente do time dos sonhos da música de concerto: Pelé, Maradona, Messi, Garrincha, Zidane, Neymar, Cristiano Ronaldo, Beckenbauer, Romário, Kaká, David Beckham, Thiago Silva, Ronaldo… com a única diferença de que, infelizmente, na música, os brasileiros ainda não somos maioria.

21 de junho 

Mieczyslaw Weinberg (1919-1996) – Concertino para violino e orquestra de cordas, Op. 42
Robert Schumann (1810-1856)- René Koering (1940) – Concerto para violino, orquestra e tímpanos, Op.129
Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893) – Leonid Desyatnikov (1955) – Serenata melancólica para violino solo e orquestra de cordas, Op.26
Modest Mussorgsky (1839-1881) – Jacques Cohen (1969) – Andrei Pushkarev (1974) – Quadros de uma exposição
Valentin Silvestrov (1937) – Serenata para violino solo


22 de junho

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quarteto de cordas “serioso”, Op.95
– Allegro con brio
– Allegretto ma non tropo
– Allegro assai vivace ma serioso
– Larghetto expressivo – Allegretto agitato
Robert Schumann (1810-1856) – René Koering (1940) – Concerto para violino (originalmente para violoncelo), orquestra e tímpanos, Op.129
Alexander Raskatov (1953) – “The Seasons’ Digest” (baseado na obra homônima de Tchaikovsky) 
– Janeiro – Diante da lareira
– Fevereiro – Carnaval
– Março – Canção da cotovia
– Abril – Floco de neve
– Maio – Noites brancas
– Junho – Barcarola
– Julho – Canção do ceifeiro
– Agosto – A colheita
– Setembro – A caçada
– Outubro – Canção de outono
– Novembro – Corrida de troika
– Dezembro – Natal
Astor Piazzolla (1921-1992) – Leonid Desyatnikov (1955) – “Quatro Porteño (quatro estações em BsAs) para violino e orquestra de cordas
– Verano porteño
– Otoño porteño
– Invierno porteño
– Primavera porteña

Tendências: