Gabriela Montero e a Sinfônica Brasileira: o “Jazz” na Música Clássica.

Alvaro Siviero

04 de novembro de 2011 | 09h10

Sempre me surpreendo ao pensar que antigamente, em recitais, era pedido ao artista que, além das obras previstas no programa, também mostrasse sua capacidade de improvisação criando, in acto, uma obra musical. A platéia sugeria um tema musical, ou cantarolava algo, e o artista desenvolvia a obra diante de todos. Uma loucura! Chopin era mestre na improvisação.

Atualmente, a música clássica “somente” ao artista-intérprete que faça sua arte com o conteúdo exato da partitura, nem mais, nem menos: não há espaço para invenções no texto melódico. Ao intérprete é exigido entender em profundidade a obra, captando a intenção do autor. E isso não é pouco. Não é trivial. O intérprete somente domina a obra quando a obra o domina. E esse trabalho exige maturação. Apesar de os moldes da música clássica não permitirem alterações no texto melódico, há um espaço em diversas  – denominado cadenza – onde ao intérprete é dada essa liberdade de criação do texto melódico. Lembro-me de uma apresentação que realizei do Concerto n.24 em dó menor, de Mozart, com uma cadenza totalmente criada por mim. Foi uma experiência muito legal, divertida. No entanto, não me vejo especialmente vocacionado para a composição, para uma atitude mais jazzística diante de meu trabalho.

A pianista venezuelana Gabriela Montero é um fenômeno da improvisação nos dias atuais. Sua capacidade chamou a atenção da pianista argentina Martha Argerich, com quem realiza frequentemente concertos. A pressão das competições e do rigor que, infelizmente pode ocorrer em algumas esferas da música clássica, fizeram com que Gabriela abandonasse temporariamente o piano. Mas toda paixão, cedo ou tarde, pede aos apaixonados um reencontro. E Gabriela voltou aos palcos.

É esse esplendor que estará no Brasil para duas apresentações neste final de semana; no Rio de Janeiro (Theatro Municipal – dia 05, 16h) e São Paulo (Sala São Paulo, dia 06, 17h).

 

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