Festival Beethoven no Theatro Municipal de São Paulo

Festival Beethoven no Theatro Municipal de São Paulo

Alvaro Siviero

10 de agosto de 2016 | 11h12

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Inicia-se hoje, no Theatro Municipal de São Paulo, o Festival Beethoven. Serão 9 apresentações totalmente dedicados à obra sinfônica do compositor alemão. Suas 9 sinfonias, sua Fantasia Coral, todos os seus concertos (5 para piano, 1 para violino e outro denominado tríplice) e algumas de suas aberturas, serão executadas sempre sob a batuta do maestro John Neschling, contando com a participação de solistas de ilibada reputação musical, alguns da própria casa (como é o caso do violinista Pablo de León, do violoncelista Raiff Dantas Barreto e a participação do Coro Lírico Municipal de São Paulo em conjunto com o Coral Paulistano Mario de Andrade).

A obra de Beethoven, repleta de contestação e quebra de paradigmas, rompeu absolutamente os moldes musicais do século 19. Um verdadeiro tsunami. A genialidade de Beethoven provocou em alguns compositores, inclusive, uma espécie de trava musical, uma insegurança que os levou, em casos extremos, a atitudes ora desesperadas ora repletas de admiração. Afirma-se que Brahms, por exemplo, destruiu muitas de suas obras (quase 2/3 delas) quando as comparava com a do gênio alemão. Schubert afirmou que a maior honra que teve em vida foi ter carregado o féretro de Beethoven. Suas nove sinfonias – compostas em um intervalo de 25 anos – evidenciam claramente a transição gradual das características clássicas às mais ousadas vertentes românticas. Sim, foi Beethoven quem iniciou o Romantismo na música.

Seus concertos para piano são um outro show à parte. Ele mesmo foi o solista na prèmiere dos quatro primeiros (a surdez o impediu de ser o solista no Concerto n.5, cognominado posteriormente por críticos musicais como “Imperador”). Coincidentemente, foram também 25 anos exigidos para o surgimento terrestre dessas jóias da literatura musical. A fúria de Beethoven se instaurará, por algumas semanas, no vale do Anhangabaú e promete encantar os que presenciarem a luz que emana das notas do mestre alemão.

Esperemos que o clima não tão tranquilo – igualmente de fúria – que paira sobre o Theatro Municipal de São Paulo, alvo de numerosas investigações (leia aqui), encontre nas obras do compositor alemão a força rebelde restauradora e o motor necessário para o início de uma nova fase que, assim queremos, poderia ser tão celestial como a música que o Theatro se propõe a fabricar.

Veja abaixo a informação completa.
Ingressos de R$ 25 a R$ 90 (com meia-entrada para aposentados, maiores de 60 anos, professores da rede pública e estudantes).

 

Dia 10 de agosto – 20h
Concerto Tríplice para violino, violoncelo e piano em Dó Maior, Op.56; Fantasia Coral, em Dó Menor, Op. 80

Dia 12 de agosto – 20h
Abertura Egmont, Op. 84; Sinfonia N. 1, em Dó Maior, Op. 21; Concerto para Piano N. 1, em Dó Maior, Op. 15

Dia 14 de agosto– 17h
Abertura Coriolano, em Dó Menor, Op. 62; Sinfonia N. 2, em Ré Maior, Op. 36; Concerto para Piano n. 2, em Si Bemol Maior, Op. 19

Dia 18 de agosto – 20h
Concerto para Piano N. 3, em Dó Menor, Op. 37; Sinfonia N. 3, em Mi Bemol Maior, Op. 55 – Heroica

Dia 21 de agosto – 17h
Concerto para Piano N. 4, em Sol Maior, Op. 58; Sinfonia N. 4, em Si Bemol Maior, Op. 60

Dia 25 de agosto – 20h
Concerto para Piano N. 5, em Mi Bemol Maior, Op. 73 – “Imperador”; Sinfonia N. 5, em Dó Maior, Op. 67

Dia 28 de agosto – 17h
Sinfonia N. 8, Op. 93, em Fá Maior; Sinfonia N. 6, Op. 68, em Fá Maior – Pastoral

Dia 01 de setembro – 20h
Concerto para violino, em Ré Maior, Op. 61; Sinfonia N. 7, em Lá Maior, Op. 92

Dia 04 de setembro– 20h
Sinfonia N. 9, em Ré Menor, Op. 125

 

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