Evgeny Kissin desembarca no Brasil

Evgeny Kissin desembarca no Brasil

Alvaro Siviero

13 de junho de 2015 | 10h13

Kissin

No ano de 1986 caiu em minhas mãos uma gravação, repleta de chiados, que me deixou espantado. Marcou-me pelo resto da vida, não pela qualidade da gravação, mas pela musicalidade. Nela, um garoto de 11 anos interpretava, ao vivo, de modo quase sobrenatural, os dois concertos para piano de Chopin, um um registro ao vivo, com a Filarmônica Estatal de Moscou (https://www.youtube.com/watch?v=gilNaeUsPNQ). Sua professora de piano, Anna Pavlovna Kantor, em premonição profética, sugeriu à família do jovem pianista que alugassem uma casa nas aforas de Moscou para preservar a vida de seu aluno após o acontecimento. Assim o fizeram. Mas o talento e a luz da musicalidade daquele jovem pianista impuseram-se: iniciaram-se suas primeiras aparições internacionais no leste europeu, uma turnê ao Japão, um convite de Herbert von Karajan e a Filarmônica de Berlim para um concerto de Ano Novo transmitido internacionalmente, o BBC Promenade Concerts (Londres), Carnegie Hall…Seu talento extraordinário inspirou Evgeny Kissin: The Gift of Music, documentário de Christopher Nupen, lançado em DVD pela RCA Red Seal.

Kissin, hoje aos 43 anos, realizará 3 recitais em terras brasileiras: os dois recitais previstos para São Paulo (Sala São Paulo), nos dias 14 e 17 de junho, e o último previsto para o Rio de Janeiro (Theatro Municipal) no dia 23. Tudo esgotado. Há exatos dois anos, a Sociedade de Cultura Artística havia programado a vinda do pianista a São Paulo. Infelizmente, quando recém havia colocado os pés em terras brasileiras, no Rio de Janeiro, recebeu a notícia do repentino infarto sofrido por seu pai. Retornou imediatamente a New York, cancelando toda sua turnê sul-americana. Mas pode estar diante de seu pai nos momentos finais. Certamente o artista será calorosamente recebido, daquele jeito que é típico nosso, e quase só nosso. E seu pai estará, de alguma forma, presente. Parabéns à iniciativa do Cultura Artística.

Mas aquela antológica gravação continua me perseguindo. E me inspirando. No próximo mês de setembro interpretarei, na Polônia, o Concerto n.1 do mestre Frédéric Chopin. E é a ela que recorrerei.