Dante Mantovani, presidente da Funarte, implementa o Sistema Nacional de Orquestras Sociais

Dante Mantovani, presidente da Funarte, implementa o Sistema Nacional de Orquestras Sociais

Alvaro Siviero

18 de janeiro de 2020 | 11h08

Faltavam poucos minutos para o início da entrevista coletiva do presidente da Funarte, maestro Dante Mantovani, com veículos de imprensa e membros da classe artística na última quinta-feira (16), quando cheguei ao auditório na sede da entidade. Era muita gente. Gente graúda. Afinal de contas, o momento cultural nacional e a importância das artes na formação do indivíduo exigiam essa presença massiva. Para os que não possuem essa informação, a FUNARTE – Fundação Nacional das Artes (órgão vinculado ao Ministério da Cidadania) exerce papel fundamental no fomento de programas dirigidos às áreas das artes visuais, música, dança, circo, teatro e tantos outros integrados do setor cultural de âmbito federal.

De modo claro, concreto, completo (dentro do que cabe em uma coletiva) e conciso, o maestro Dante Mantovani comportava-se como um cirurgião, detectando os problemas, acionando seu bisturi e, com firmeza e profissionalismo, apoiado em tecnicidade, mostrava a traços largos a nova sinfonia que será regida pelas novas diretrizes do empreendedorismo cultural para 2020. O programa Funarte – 45 anos cobrará resultados que começarão, inclusive, a ser mensurados pelo IPEA. Tudo preto no branco.

A primeira grande notícia foi o aumento considerável do orçamento da instituição: de R$12 milhões (2019) para R$38 milhões (2020). A segunda excelente notícia será a implementação do Sistema Nacional de Orquestras Sociais que proporcionará, em todas as regiões do Brasil, um projeto-escola de formação musical, um verdadeiro programa de resgate cultural, educacional e social que retira jovens de situação de risco como violência, drogas, ociosidade, analfabetismo, desemprego, prostituição e criminalidade. É a arte atuando como eixo estratégico de desenvolvimento, de transformação social, permitindo que o maior número de pessoas possível, cada cidadão brasileiro, possa ser beneficiado. Esse projeto será o condutor de todos os demais. Tendo a música como elo de ligação entre todas as áreas da arte, promoverá a transversalidade das ações artísticas, realizadas pela Funarte ou em parceria com a instituição. Um programa que, bem-sucedido, certamente transformará a Funarte em uma vitrine da cultura do país e, como efeito dominó, criará uma atividade econômica. “O enorme potencial que têm as artes para impulso à economia do país está associado ao valor social desse crescimento, no estímulo ao empreendedorismo nas artes”.

Outra iniciativa, acompanhada pelos olhos atentos dos presentes, será a promoção de um sólido sistema de mecenato, realizando encontro entre empresários e a classe artística. Neste encontro, a Lei Rouanet (lei de incentivo fiscal federal) deverá ser explanada em detalhe, sanando desinformações e ruídos gerados por casos pontuais de mau uso. A “demonização” pela qual ela foi submetida é uma falácia. Segundo Dante Mantovani, o empresariado que se une ao Governo na promoção da cultura, apoiando e patrocinando projetos – contrariamente ao que afirmam os incautos –  receberá todo o apoio e parceria por parte do Governo Federal.

“A formação de público é uma das missões mais importantes da Funarte. O público representa um dos importantes grandes elos da cadeia produtiva artística. Afinal, a arte se destina a ele e é ele quem a consome. A qualificação de novas plateias é fundamental: queremos que os alunos se formem no ensino médio e conheçam o nome de grandes artistas como Carlos Gomes, Villa-Lobos, Machado de Assis, José Maurício Nunes Garcia, entre outros. Temos que fazer com que nossos grandes artistas sejam conhecidos”, afirmou Mantovani.

Os diversos membros que compunham a mesa diretora da coletiva afirmaram, de modo contundente, que os novos editais serão lançados a partir de janeiro. A tecnicidade e correção da análise dos projetos a serem realizados deixou claro aos que estávamos ali presentes que arte e política não podem caminhar de mãos dadas. Quando isso ocorre a arte se converte em ideologia barata. Políticas culturais, sim. Intervenções políticas na arte, não.

Acabada a coletiva tive a oportunidade não somente de conversar com muitos dos ali presentes mas, acima de tudo, observar como muitos dos que ali estavam – gente do alto escalão político e cultural nacional – entendiam que aquela conversa não havia sido, como dizem por aí, “lero-lero” ou “bla-bla-bla”. Era conversa de gente grande. Pessoalmente, saí com a mesma impressão.

Agora é trabalhar e torcer para que intenções se transformem em realidade.

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