Carmina Burana e o xadrez

Alvaro Siviero

13 de maio de 2012 | 11h40

Certa vez, Schumann afirmou ser a música como o xadrez: a Rainha (a melodia) no poder supremo, mas quem decide o jogo é sempre o Rei (a harmonia). No entanto, a afirmação do músico romântico talvez não intuísse a evolução rítmica que aconteceria já durante os primeiros passos do modernismo musical.
Carl Orff (1895-1982), influenciado por Stravinsky, buscou compor suas obras procurando estabelecer ligações com tipos primitivos de comportamento musical que, embora dotados de aspereza incomum pela ausência melódica, acabaram descortinando um novo mundo sonoro, onde a música fica reduzida ao ritmo acentuado de golpes percussivos.
Carmina Burana é o exemplo (do latim Cármen – poesia – e Burana – de Bura, adjetivo latino usado para referir o distrito bávaro de sua origem), resultante do aproveitamento de 24 poemas e canções, originadas em manuscrito latino do Século XVIII existente no Mosteiro de Benedictbeuern, em Baden-Wurtenberg, no vale do Reno, Alemanha. É logo nos primeiros movimentos que está a melhor caracterização de Orff: a declamação do texto, embora de extrema pobreza melódica, ganha força por seu caráter repetitivo e opressivo, empregando motivos do folclore bávaro e, como que parodiando, faz sua alusão ao coral gregoriano.
Juntamente com Carmina Burana, Catulli Carmina (sobre a vida obscena de Caius Valprius Catullus e sua paixão proibida por Lésbia) e Il Trionfo de Aphrodite concluem a célebre tríade do autor.

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