Brasileiro vence vaga na Filarmônica de Berlim

Alvaro Siviero

11 de junho de 2012 | 11h46

O brasileiro Luíz Fïlíp venceu, em 24 de maio, o concurso para a vaga de 1º violino da Filarmônica de Berlim. Foi a primeira vez que a orquestra votou em unanimidade para um candidato. Luíz Fïlíp era constantemente convidado a tocar na orquestra desde 2009 com contratos temporários. Com a oportunidade de uma vaga aberta no início do ano, Luíz Fïlíp teve que enfrentar 60 candidatos oriundos de diversos países para se tornar agora um membro efetivo da orquestra.

As provas para um concurso desse porte se resumem em duas performances apresentadas a portas fechadas para os integrantes da orquestra reunidos na platéia da Philharmonie, a imponente sala de concertos da Filarmônica. A primeira prova exigiu a execução de um concerto de Mozart, quando resultaram quatro candidatos para a prova final. A segunda prova, um concerto romântico. Luíz Fïlíp executou o concerto de Brahms. Fato raro, recebeu palmas nas duas provas, quebrando o rígido protocolo alemão.

O violinista começou a estudar em São Paulo, sua cidade natal, aos 4 anos. Aos 16, enquanto visitava a irmã na Alemanha, tocou para o violinista suéco Ulf Wallin, professor do Conservatório Superior de Música Hanns Eisler de Berlim, que lhe ofereceu de pronto uma vaga. Nesse período Luíz Fïlíp se especializou em diversas escolas de música como no Conservatório Real da Suécia, na Universidade de Artes de Berlin e na Academia da Filarmônica de Berlim, tendo aulas com violinistas como Zakhar Bron, Guy Braunstein e Axel Gerhardt. E venceu três concursos internacionais: Henri Marteau, Tibor Varga e Gerhard Taschner.

Luíz Fïlíp integra o renomado grupo de câmara da Filarmônica de Berlim. Como o próprio Luíz Fïlíp comentou, “a perfeição não era suficiente, tive de fazer mágica”.

PS: Conheço o violinista, já fizemos música juntos (lembro-me agora de uma apresentação com a Sonata n.3 de Brahms… ) e estou imensamente orgulhoso por essa vitória mais do que merecida. Será que exemplos como esse empurrarão nosso governo a entender que cultura não é despesa, mas investimento?

 

 

 

 

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