Bento XVI e Daniel Barenboim em busca da paz

Alvaro Siviero

12 de julho de 2012 | 22h42

A Música manifesta o Belo de modo imediato. Já vi gente que, após um recital desses de tirar o fôlego, fica sem reação. Outras vezes, pessoas cultas e elegantes, após o forte abalo emocional, desses de lavar a alma, preferem o silêncio. Há, inclusive, quem verifique que os olhos estão cheios de lágrimas. Falo sério. É como se todo esse mundo interior que todos trazemos dentro necessitasse uma readaptação a um novo e verdadeiro patamar. E a alma humana, alimentada, mostra ao homem que são poucas as coisas nesta vida que realmente importam, que valem a pena.

No último dia 11 de julho, dia de S. Bento, Padroeiro da Europa, Daniel Barenboim ofereceu um concerto a Bento XVI, em Castelgandolfo, no cortille do palácio papal de verão. É sabido que, desde os primeiros dias de seu papado, Bento XVI tem promovido um ativo diálogo entre judeus, cristãos e muçulmanos: uma verdadeira cruzada de paz. Daniel Barenboim, por outro lado, conhecedor do profundo preparo humano e intelectual de Bento XVI, apoiou-se nas diversas nacionalidades dos músicos que compõe a sua West-Eastern Divan Orchestra – Israel, Palestina, Síria, Jordânia, Egito, Líbano, Irã, Tunísia, Turquia, entre outras nações –  para andar de mãos dadas com Bento XVI nesta busca da paz.  O motor? A Música.

Já entre os dias 29 de maio e 02 de junho deste ano, durante o VII Encontro Mundial das Famílias, realizado em Milão, Barenboim havia convidado Bento XVI a um concerto no Scala de Milão. A entrada do Papa, homem sem empáfias e verdadeiro, provocou o aplauso acalorado de mais de 10 minutos por parte da platéia que ali estava presente. Era o início para a descoberta desta novo caminho: a Música não somente como fonte de Beleza, como meio de busca da paz.

Ao final do concerto, Bento XVI em cumplicidade musical, manifestou sua imensa gratidão em acolher aquela orquestra, “nascida da convicção, antes, da experiência de que a música une as pessoas, ultrapassando qualquer divisão, porque a música é a harmonia das diferenças, como acontece quando a orquestra começa um concerto, no ‘ritual de afinação’, afirmou o pontífice. E prosseguiu – “a partir da variedade de timbres de diferentes instrumentos, pode sair uma ‘sin-fonia’. Mas isso não acontece magicamente ou automaticamente!”. Só “é possível através dos esforços do Diretor e de cada músico”, concluiu.

Ao final o Papa agradeceu ao Maestro Barenboim e à Orquestra West-Eastern Divan desejando a cada um deles os melhores votos e orações para continuar a semear a esperança de paz no mundo através da linguagem universal da música.

 

No Scala, em Milão (chegada e concerto)

 

Em Castelgandolfo

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