Amazonas, São Paulo, Brasília: a ópera ganhando tradição

Amazonas, São Paulo, Brasília: a ópera ganhando tradição

Alvaro Siviero

18 de julho de 2014 | 10h46

Um amigo comentou que era mais fácil compreender as pessoas ao seu redor  – muitas vezes gente complicada, carente e ambiciosa – prestando atenção no comportamento dos personagens de um bom livro. É verdade. Os grandes clássicos da leitura refletem, dentro de um enredo intrigante, muitas das reações e comportamentos do ser humano. E a leitura refletida faz-nos aprofundar nos comportamentos do ser humano. É também por isso que quem lê chega mais longe. Acredito que não erro ao afirmar que uma ópera – essa é minha visão – é igualmente uma grande trama, um enredo, cheio de confusões ou momentos cômicos que nos ensinam até que ponto o comportamento humano pode chegar. A dissimulada Capitú, personagem de Machado de Assis, encontra um grande paralelo na personagem Carmen, de Bizet, esta última uma cigana atrevida, com certa dose de cinismo, que acaba levado a pior ao final da trama. A ópera, sem querer ser reducionista, é essa estória contada com boa música, com recursos cênicos de cair o queixo e com cantores-atores que encarnam a personagem. Uma fábula musical, com trabalhosa produção. Quando bem realizada, é impossível não se envolver. Se, por acaso, a produção é falha, os cantores não são bons atores, o figurino é pobre e a música que envolve a trama é mal interpretada, obviamente o público não a aprovará. Mas aí o problema é outro. Em alguns locais, como no Metropolitan de NY, o cuidado é extremado. A título de ilustração, dá uma espiada na produção de Turandot, uma princesa chinesa que, após um teste, manda degolar os que se apaixonam por ela (estória incrível).

Pois bem, a ópera, que nasceu na Itália no século XVII (obra em português; opus em latim), ganha espaço no cenário cultural brasileiro, seja na já célebre e tradicional temporada do Festival Amazonas de Ópera (que está em sua 14º edição), seja no impecável e zeloso trabalho desenvolvido pelo Theatro Municipal de São Paulo, que resgatou sua verdadeira vocação e tem lotado sua temporada de apresentações com um trabalho combativo e inovador realizado por John  Neschling. Pontos positivos para as produções operísticas realizadas no Theatro São Pedro (SP). Em real esforço, Brasília cria sua inserção neste contexto musical realizando, em 2014, sua quarta temporada, que se iniciou nos dias 25, 27, 28, 29 de junho com a obra Tosca, de Puccini, e seguem, ontem e hoje (dias 17 e 18 de julho), em gala lírica homenageando os 150 anos de nascimento do compositor austríaco Richard Strauss. Em 31 de julho, 1 e 2 de agosto, pela primeira vez, a ópera A Cartomante, do compositor candango Jorge Antunes será a apresentada. Nas apresentações de ontem e hoje, além de composições de Richard Strauss, serão apresentadas árias de óperas de grandes compositores como Wagner, Rossini, Verdi, Puccini, Giordano e Saint-Saens.

 

SERVIÇO:

Evento: IV FESTIVAL DE ÓPERA DE BRASÍLIA
Dias: 18 e 19 de julho de 2014 – 20h
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: (61)3325-6232/(61)3325-6171

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