Sinfônica de Heliópolis abre temporada inovando protocolo

Sinfônica de Heliópolis abre temporada inovando protocolo

Alvaro Siviero

13 de março de 2019 | 10h34

Orquestra Sinfônica de Heliópolis

A Temporada de Concertos do Instituto Baccarelli deu sua largada no último domingo, dia 10 de março, às 11h, no MASP-Museu de Arte de São Paulo, com obras de Glinka e Dvorak, sob regência de Edilson Ventureli. Casa cheia, público caloroso, comprometimento artístico dos músicos e um ambiente extremamente cordial marcaram essa estréia que, diferentemente de outras apresentações tradicionais, buscou quebrar o protocolo artístico. Isso mesmo, mas tudo intencional. Observava-se diversos celulares registrando e divulgando o concerto, uma prática incomum no meio artístico, estabelecida em grande parte pelo desejo de resguardar e proteger-se de imprecisões artísticas. Não foi aqui o caso. Quem não deve não teme. Observei também – e foi emocionante – a saída dos músicos pelo corredor central do auditório: com sorriso rasgado e extremada simpatia, cumprimentavam e agradeciam cada um dos presentes. Tudo natural. Tudo muito humano. Soube também que, dado o desconhecimento de muitos sobre o assunto, há a intenção de permitir que o grande público aplauda nos momentos em que a emoção se impuser.

Ninguém discorda que a comunicação dos tempos atuais mudou. Seus novos formatos digitais, a busca de conectividade e aproximação mais informal com o público dominam os telejornais, a mídia impressa e, em grau máximo, as redes sociais. Enquanto interesses comerciais jogam luz nas chamadas músicas bate-estaca, regadas a sensualização e emburrecimento coletivos de dar dó, não são poucas as pessoas que, em movimento ascendente, buscam algo de maior valor cultural, algo que lhes agregue, refine, enriqueça e que realmente lhes traga sentido diante do esvaziamento cultural reinante. É aquela velha estória: a quem está no fundo do poço não lhe resta outra opção a não ser subir. Neste momento, portanto, extremamente positivo (pode parecer paradoxal, mas não o é), a Sinfônica de Heliópolis busca resgatar valores.

Como cara e coroa da mesma moeda, é também fundamental que, diante desta busca crescente por música de qualidade, os novos formatos da comunicação atinjam nós artistas para que nos proponhamos a ser fios condutores dessa maior personalização, dessa aproximação, desse encontro. Um esforço conjunto. E é exatamente isso ao que se propôs o Instituto Baccarelli: criar uma nova cultura.

Os desmandos constrangedores de alguns em busca de notoriedade – de pura apelação mesmo, principalmente em muitos(as) novos(as) “cantores(as)” da atualidade – devem ser tomados como parâmetro para sabermos o que não deve ser feito. Isso mesmo. A busca de reconhecimento profissional não é sinônimo de venda de princípios básicos de comportamento: quando se ultrapassa o sinal vermelho do mínimo de decoro o recibo vem com altos juros. Um efeito boomerang. Erra quem confunde arte com exibicionismo. Aproximar-se do público, sim. Vender-se, não. Cada um que use seu bom senso.

O imenso trabalho de resgate educacional e cultural promovido pelo Baccarelli é incontestável. Os “Concertos Livres” – é assim que serão denominados estes novos formatos de diálogo com a população – igualmente farão história. São já milhares os alunos que por lá passaram e que hoje, muitos, ocupam profissionalmente cargos em postos de reconhecido prestígio musical. Sim, esse projeto funciona com Lei Rouanet. Você também pode colaborar. Tudo de forma limpa, honesta e transparente. Fica a dica.

E para os que quiserem conhecer um pouco mais do trabalho desenvolvido, acesse www.institutobaccarelli.org.br

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