21 de junho – Os protestos que se espalham pelo Brasil no dia da Música

Alvaro Siviero

21 de junho de 2013 | 11h24

As manifestações que tomam conta do país – o Gigante acordou! – despertaram em todos o sentido patriótico que perdemos pelo cansaço gerado diante de governantes corruptos, que governam em causa própria. A declaração emocionada da atriz Alessandra Negrini – ontem, em plena Avenida Paulista – foi um desabafo emocionado: “este país é nosso, os bens públicos são nossos”. Frase verdadeira. Um país à deriva. O povo nas ruas. “Desculpem o transtorno. Estamos reformando o Brasil”, afirmava um cartaz. Um emocionante mote energético? O Hino Nacional.

 

Hoje, 21 de junho, é o dia da Música. Quando ouvimos uma música que nos toca, pensamos em alguém, em um momento das nossas vidas. A música da formatura, do casamento, aquela que gostamos de dançar, do casal de namorados… Nos apegamos a elas. Elas criam referências. Uma marca. Acredito que, para quem sabe viver, a vida é uma festa.  Para os que não sabem, a vida é uma baderna. Sendo festa, precisamos de Música. Festa sem música não é festa. Vida sem música é desterro.

“Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e, juntas, rezam e meditam até que aparece a “canção da criança”. Quando nasce a criança, a comunidade se une e lhe cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo une-se novamente, e lhe cantam sua canção. Quando se torna adulto, os integrantes da tribo se juntam novamente e cantam. Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção. Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na viagem. Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado onde as pessoas da comunidade formam um círculo ao seu redor para cantarem a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo: é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a “tua canção” e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado, tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso”, constatou a poetisa africana Tolba Phanem.

Escolha hoje uma canção, uma música – a sua música – para te acompanhar. Quando o peso das dificuldades ou a alegria da vida chegarem mais perto, lembrarei o que sou. E, embora ainda não o seja, lembrarei também ao que fui criado a ser. O texto – que evidencia o valor e grandeza do coração africano – reforça a certeza do valor do ser humano, que independe de sua raça, língua, valores econômicos, prestígio, saúde, cor ou crenças. O valor é sagrado, como a canção que o acompanha.

No dia de hoje – inserido em dias históricos – escolha também sua canção, uma música que te acompanhará. Lembre-se do Gigante – pela própria natureza – que existe dentro de cada um de nós e viva coerentemente. Os problemas de uma sociedade não passam de um projeção ampliada dos conflitos íntimos que cada um trava dentro de si. A Música será seu apoio. E o Brasil agradece.

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