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Festival de Curtas traz retrato do tradutor Boris Schnaiderman

Adriana Plut

19 de agosto de 2013 | 03h27

O Festival de Curtas de São Paulo é a oportunidade ideal para jovens diretores mostrarem seus primeiros trabalhos – e também para o público em geral assistir ao que há de mais novo sendo produzido no Brasil e fora daqui. É o caso do documentário “O Pracinha de Odessa”, o primeiro filme do diretor Luis Felipe Labaki, que retrata o ensaísta e tradutor de língua russa Boris Schnaiderman, radicado no Brasil desde a infância.
Este é o primeiro filme de Labaki (sim, ele é filho do criador do Festival É Tudo Verdade, Amir Labaki) como diretor, mas antes já havia participado do curta-metragem “Travelongas”, foi responsável pela trilha do longa “27 Cenas Sobre Jorgen Leth” (2008, dir. Amir Labaki) e dos curtas “Um, dois, três, vulcão” (2012, dir. Miguel Ramos) e “O Segredo dos Adultos” (2013, dir. Ivan Nakamura e Jotagá Crema), entre outros trabalhos.
Mas por que o interesse em Boris Schnaiderman? Labaki se interessa pela literatura e pelo cinema do país, e sempre admirou Boris “não só como tradutor, mas também como ensaísta”. A infância em Odessa (Ucrânia) e a participação na Segunda Guerra são alguns dos temas abordados no curta.
“O Pracinha de Odessa” estreia nesta sexta-feira (23.8), como parte da mostra Programas Brasileiros. Confira abaixo entrevista com o diretor e o teaser do filme.

.DOC – Como surgiu a ideia de fazer um filme sobre o Boris Schnaiderman? Por que este personagem e tema?

Luis Felipe Labaki – Paralelamente ao meu curso de audiovisual na ECA eu comecei a estudar russo pelo interesse que já tinha na literatura e no cinema do país. Sempre admirei muito o trabalho de Boris não só como tradutor, mas também como ensaísta. Os textos dele sempre me impressionaram pela clareza com a qual ele discute seu próprio trabalho, elucidando métodos e expondo abertamente as dificuldades que encontra pelo caminho. E as traduções de Boris acabaram me levando a outros trabalhos dele, como o “Tradução, Ato Desmedido” e o romance “Guerra em Surdina”, feito com base na experiência dele na FEB durante a Segunda Guerra, e que é um dos melhores romances de guerra que já li. Isso tudo foi aos poucos compondo para mim a imagem tanto da abrangência da obra de Boris quanto também da sua própria trajetória de vida, que é fascinante. No momento de apresentar um projeto de TCC, a ideia de fazer um retrato de Boris surgiu então como uma confluência de diferentes interesses: dentro do contexto de uma homenagem a ele, me propus a fazer um curta-metragem que apresentasse a variedade de estilos literários com os quais Boris trabalha e que incorporasse em sua própria forma certas questões relativas à tradução, aqui transpostas para o meio audiovisual.

.DOC – A sinopse do filme menciona “diferentes abordagens cinematográficas”. Quais são elas? O filme é um documentário?
Luis Felipe Labaki – O filme sem dúvida é um documentário. Essas “diferentes abordagens cinematográficas” são os tratamentos distintos que foram dados aos segmentos assumidamente encenados que dialogam no filme com o depoimento que gravamos com Boris. Esses segmentos são, em sua maioria, excertos de obras literárias que eu procurei encenar tentando preservar as diferenças estilísticas que existem entre os próprios textos, e que cumprem no filme o papel de apresentação do “universo de trabalho” de Boris. O fato de serem encenações com atores, feitas em estúdio, não altera o status de documentário do curta. Elas existem justamente como parte do retrato de Boris, complementando e comentando suas falas.

Qual foi a reação do Boris Schnaiderman ao ver o filme?
Luis Felipe Labaki – Mostrei o filme para o Boris há poucas semanas e a reação dele foi muito positiva. Ele gostou especialmente da escolha dos textos literários e da maneira pela qual essas encenações se relacionam com seu próprio depoimento. Ele também ficou bem feliz ao ouvir a “música tema” do filme, uma antiga canção popular de Odessa que ele menciona em um texto ter sido muito marcante para ele durante a infância na Ucrânia.

O PRACINHA DE ODESSA
Brasil (SP)
22 min.
23/8 – Sexta – 19:00 – Centro Cultural São Paulo – R. Vergueiro, 1000 24/08
24/8 – Sábado – 15:00 – Cine Olido – Av. São João, 473 
28/8 – Quarta – 16:00 – CINUSP – R. do Anfiteatro, 181, Favo 4, Colméia, Cidade Universitária

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