Por que livros velhos cheiram bem

Estadão

09 de maio de 2011 | 18h56

Nenhum conhecimento literário me preparou para interpretar a estrutura acima, mas soube agora que ela diz muito sobre mim e, provavelmente, sobre você, se você é frequentador desta e de outras bibliotecas.

Essa coisa aí é a lignina, substância que dá rigidez e impermeabilidade às células vegetais. Trata-se de um polímero formado por unidades que têm estreita relação com a vanilina – o principal composto da baunilha.

Quando transformado em papel e estocado por longos períodos, esse polímero se quebra e… passa a cheirar bem. O que explica por que não há rinite capaz de impedir alguém de ser feliz num sebo.

Seria tal artifício “uma forma subliminar que a providência divina encontrou para atiçar nossa fome por conhecimento”? É esse o chute (de brincadeirinha, é claro) do cientista Luca Turin e da especialista em perfumes Tania Sanchez, que explicam todo o mecanismo com muito mais classe no livro Perfumes: The A-Z Guide, publicado lá fora faz uns anos.

E eu nem sabia que gostava assim de baunilha.

(Vi lá no Trabalho Sujo.)

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