O último mistério

Estadão

16 de setembro de 2010 | 17h26

Ontem completaram-se 120 anos do nascimento de Agatha Christie, efeméride que o Google britânico celebrou no logo (acima) e sites literários recordaram. Mas só hoje vi uma notícia, na verdade veiculada pela NPR em junho, que me chamou a atenção.

Trata-se de uma pesquisa feita por um professor da Universidade de Toronto, Ian Lancashire, e que levou em conta a obra de Christie, escritora das mais vendidas no mundo (mais de 2 bilhões de livros em 44 idiomas, é o que se diz).

Lanchashire deve ser um homem de paciência: basicamente, o que ele faz, com a ajuda de um programa de computador, é colocar em ordem alfabética todas as palavras e analisar os contextos em que são usadas. Uma das coisas que ele descobriu nesse tipo de pesquisa foi que John Milton nunca usou a palavra “because” em seus escritos, mas explicar o motivo exigiria o trabalho de um médium.

Os resultados foram mais expressivos quando ele se voltou a Agatha Christie, cuja literatura, há de se convir, é um tanto mais simples que a de um Milton. Ele pegou 16 romances dela, escritos ao longo de mais de 50 anos, e analisou o vocabulário usado, a frequência com que palavras aparecem e o número delas em cada texto.

A surpresa veio quando chegou ao 73º romance, escrito aos 81 anos. O número de palavras diferentes era 20% menor do que nos livros anteriores, o que representaria a perda de um quinto do vocabulário dela. A conclusão, para a qual contou com ajuda de especialistas, foi a de que ela sofria de Alzheimer – doença nunca diagnosticada, embora ela reclamasse da falta de concentração nos últimos anos de vida.

Por curiosidade, o livro se chama Os Elefantes Não Esquecem e trata de uma romancista que luta contra a perda de memória enquanto tenta ajudar Poirot.

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