O fim e o começo

Estadão

10 de setembro de 2010 | 10h33

washington post book world

Em fevereiro do ano passado, o tablóide literário do Washington Post, o Book World, deixou de circular. Isso foi dois anos depois de o Los Angeles Times aposentar o seu caderno de livros e um ano depois do Chicago Tribune fazer o mesmo. Foi ainda sob o impacto da notícia do fim do Book World que, segundo meu editor, começaram no ano passado no Estadão as primeiras conversas sobre o que poderia ser – ou não – um suplemento voltado apenas para o universo literário e editorial.

Uma das dúvidas era: não seria remar contra a maré lançar um caderno de livros quando, do lado de lá do Equador, eles estavam se extinguindo? Dos jornalões norte-americanos, afinal, restava só o Book Review do New York Times.

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Embora eu não tenha feito parte daquelas discussões e conheça o desenrolar da história só de orelhada, sou suspeita para dizer que achei a decisão do jornal acertadíssima. Até porque o mercado editorial brasileiro não para de crescer. Parece que nem nota que o resto do mundo ainda sente efeitos da crise – você se distrai um segundo e aparece um novo selo literário (ando impressionada com a velocidade com que as pilhas de livros andam crescendo por aqui, um dia escrevo sobre isso).

Daí que ontem veio do Observer a notícia: o Wall Street Journal terá, pela primeira vez em sua história, um caderno semanal só sobre livros. Que, se não for tão gigante quanto o Sunday Book Review – mais de 20 páginas de tablóide abarrotadas de texto, com imagens pequeninas aqui e ali só para constar, uma equipe de mais de 12 pessoas -, será de um tamanho “significativo”, segundo a fonte do Observer.

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Não preciso dizer que acho ótima notícia. Em tempos de Google Reader juntando uma infinidade de informações numa página só, não há oferta de leitura sobre livros que não seja bem-vinda. Tudo bem que não raro seja preciso esquecer a mágoa de não conseguir ler tanta notícia, marcar todos os feeds como lidos e começar outra vez…

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