No Sabático de 29/5 – parte 2

Estadão

30 de maio de 2010 | 02h16

Nunca tinha ouvido falar no autor, o colombiano Evelio Rosero, mas poucas páginas do romance Os Exércitos bastaram para perceber que valia muito a pena. Depois vi que o livro foi bem elogiado (e premiado) na Espanha e em outros países onde chegou a sair. Recomendo sem ressalvas para quem se interessa por assuntos espinhosos (e até incompreensíveis para quem olha de fora) do gênero no noticiário.

A foto abaixo foi encontrada no final do ano passado com um guerrilheiro da Farc morto pelo Exército da Colômbia.

***

Uma guerra de muitas facções

Romance de Evelio Rosero retrata o terror no cotidiano dos colombianos que moram longe dos grandes centros, num país tomado pelo confronto de décadas entre o Exército, paramilitares, guerrilheiros e narcotraficantes

Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo

A infinidade de cartazes pelas ruas de Bogotá poderia levar o incauto a crer que, nesta véspera de eleição presidencial na Colômbia, a disputa pelo poder se equilibra entre dois polos – a situação, personificada no candidato Juan Manuel Santos, e a oposição, no nome do Partido Verde, Antanas Mockus. Mas são, na realidade, quatro as forças que há décadas decompõem o país: o Exército militar, o paramilitar, os guerrilheiros e os narcotraficantes.

Nesse cenário em que não se distingue quem é de fato criminoso – há poucos dias, um relatório da ONU apontou que militares foram responsáveis pela morte de 3 mil civis, depois travestidos de guerrilheiros – se passa a narrativa de Os Exércitos, romance de 2006 que rendeu ao colombiano Evelio Rosero, autor de outros 12 títulos, reconhecimento internacional (ganhou, por exemplo, o Independent Foreign Fiction Prize). Uma história que poderia ser a de qualquer morador dos recônditos do país, e portanto situada no fictício vilarejo de San José: o drama do professor Ismael Passos, de sua vizinha brasileira Geraldina Almida e de tantos outros que se veem atingidos física ou emocionalmente pelos efeitos de uma guerra difusa. “Há uma espécie de indiferença nas grandes cidades da Colômbia, onde o fenômeno da violência não é tão direto como em outras regiões. Ouvem-se as notícias de massacres como se tivessem ocorrido na Lua, e não a poucos quilômetros de casa”, diz a o escritor em entrevista ao Estado.

[…]

***

A íntegra do texto está aqui. Outros dos textos da edição você localiza via @cultura_estadao.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: