Não tente fazer isso no seu Kindle – parte 2

Estadão

01 de agosto de 2011 | 19h26

Houve um momento, ano passado, em que percebi que não adiantava mais favoritar textos no Google Reader com a ideia de voltar a eles depois. Estrelas em feeds ou no Twitter servem só para aplacar a culpa pela incapacidade que a gente tem de parar para prestar atenção no tanto de informação que invade nossa vida.

Como as estrelas de favorito já não surtiam nem o efeito placebo de enganar a consciência, criei no email uma pasta para a qual passei a enviar tudo o que pretendia olhar com calma depois. Mandar email tipo post it pra si mesmo é prática antiga de qualquer um, vai, mas eu nunca tinha organizado numa pastinha, então sempre acabava apagando as mensagens depois que a validade delas tinha vencido. Desta vez, criei um enorme depósito de tranqueiras virtuais relacionadas a livros, literatura e afins, das quais até hoje só consegui resgatar uma ou outra imagem para posts carentes de ilustração.

Lembrei do banco de dados improvisado dia desses, quando li no jornal sobre a exposição Além da Biblioteca. Ela teve abertura neste último sábado e fica em cartaz até outubro no Museu Lasar Segall, em São Paulo, com trabalhos de vários artistas que evidenciam a forma e o conteúdo funcional do livro. Como esse aqui (o meu preferido dentre os que aparecem no site do museu), de Odires Mlászho:

Ainda não pude ir ao museu para comentar, então resolvi reunir num post, numa curadoria bem pessoal, exemplos de arte feita a partir de ou inspirada em livros, entre links que separei ou me foram enviados (estando Ronaldo Bressane e Thais Caramico, aos quais sou grata, entre os doadores da tranqueira virtual).

À arte, então.

***

Neste primeiro, Jill Sylvia remove blocos em branco de livros de contabilidade para criar uma malha de papel. Com os esqueletos de livros, constrói réplicas de prédios famosos, como o Capitólio e a Casa Branca.

A ideia de Meg Hitchcock, abaixo, é “desconstruir a palavra de Deus”. Pega trechos da Bíblia, do Alcorão e do Torá, corta as letras e as remonta, como malhas, recriando textos de outros livros sagrados. Deve ser mais legal para quem lê, mas não achei com resolução para enxergar o que dizem os crochês de citações.

Este abaixo já vai mais para decoração: o designer Michael Bom transforma livros em lustres.

Aliás, isso me fez lembrar de uma outra espécie de lustre, abaixo, que o Bressane me mandou por email, da livraria portenha Eterna Cadencia. A autoria eu desconheço, e também não achei no site deles.

Este abaixo não é bem livro, mas, vá lá, leitura. É do japonês Ryo Shimizu, que pegou caracteres chineses e os reestruturou na forma do alfabeto romano.

 

A australiana Kylie Stillman cava livros. Selecionei essas três imagens abaixo, mas no site dela tem mais um monte. Parece que tem uma galera que faz esse tipo de arte. O mais famoso é o Brian Dettmer, cujo trabalho postei por aqui no início do ano.

E este último é tão simples que acho que é o meu preferido: a italiana Emanuela Ligabue pega blocos de madeira e pinta como se fossem livros de verdade.

Fontes: web urbanist, Boing Boing, swiss-miss e Fubiz

Em tempo: Aqui, o post Não tente fazer isso no seu Kindle, parte 1.

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