Having fun

Estadão

07 de dezembro de 2010 | 19h51

http://www.flickr.com/photos/evanmischelle/

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A Dani Arrais foi quem viu a imagem acima e disse que achou a cara do blog. Não sabe o quanto mandou de nostalgia junto. “Se divertir não é difícil quando você tem um cartão de biblioteca”, diz a mensagem, que perde boa parte do impacto em português. É que diversão, pra menina petropolitana míope e tímida que eu era na infância, vivia relacionada com as pequenas felicidades garantidas pelo cartão da biblioteca.

Tinha guardado na minha cabeça que a que eu frequentava em Petrópolis se chamava Biblioteca Alceu Amoroso Lima, como a de Pinheiros, aqui em São Paulo, não me perguntem por quê. Perdi bem uns minutos na internet até encontrar no Google Maps a praça em que ela fica, a Visconde de Mauá, e daí chegar ao nome certo: Centro de Cultura Raul de Leoni.

Memória nunca foi o meu forte.

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Encontrei em toda a rede apenas duas fotos solitárias do lugar. O resto, a parte de dentro, tentei recriar na cabeça, e enquanto isso fiquei pensando o que será que fizeram com as fichas antigas, dos meus tempos. Será que têm ainda todos os dados guardados por pura falta de alguém para mexer nos arquivos ou já digitalizaram tudo e jogaram fora a minha foto em preto e branco, de franjinha torta, dente encavalado e óculos de gatinha? (Ai.)

E de repente imaginei que não seria mal conhecer a cronologia das minhas leituras. Se os primeiros livros registrados com o número do meu cartão foram mesmo, conforme dita a lembrança, todos os da coleção do Monteiro Lobato, na sequência (“todos” é mentira. Naquela coleção de velhas páginas amarelas e capa verde dura, faltava o primeiro volume dos Os Doze Trabalhos de Hércules, única lacuna, que nunca preenchi). Ou se os Monteiros Lobatos vieram depois dos Pedros Bandeiras e dos Para Gostar de Ler. Ou se intercalava tudo com os Marcos Rey e com os Enrola e Desenrola, concorridíssimos também.

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Mas lembro que, muitos anos depois, alguns antes do vestibular – o cartão já esquecido por causa da bela concorrência da biblioteca adulta do meu pai -, implantamos ali nosso novo conceito de diversão. Era nos jardins bem em frente que, quando caía o sol, Jaque, Gi e eu, lá com nossos 15, 16 anos, parávamos para papear longe dos meninos. Sobre eles, naturalmente. E tomando cerveja em latinha, segredo bobo que não registrávamos em papel nenhum.

(A linda imagem lá no alto, que deu origem a este post, é da M I S C H E L L E).

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