Moeda corrente, livros

Estadão

08 Abril 2011 | 10h00

[Excepcionalmente hoje, um post das ferias, sem acentos nem muita preocupacao. Qualquer dia a programacao normal volta por aqui.]

Ontem foi o dia mais quente do ano em Londres e tambem o mais quente nesta epoca do ano em sei la quantas decadas, li ali meio por cima no Independent.  Parece que continua assim ate domingo. E eh claro que numa manha como essa, em plenas ferias, eu deveria estar estirada na grama de um parque lendo ou apenas aprimorando o potencial para a preguica em vez de na frente do computador, escrevendo.

Mas resquicios de Paris nos impedem de sair, um longo imbroglio envolvendo a recusa de cartoes de credito pelo sistema de locacao de bikes frances, o Velib, seguido de pelo menos tres altissimas cobrancas indevidas. O que causou tambem bizarros danos no Mastercard do Gui e no meu Visa que nem sei ou quero mais explicar (embora saiba que ainda va ter que fazer isso vezes sem fim ate encontrar uma solucao).

Nos tempos do escambo, a vida devia ser mais facil.

Alias, para impedir situacoes como essa (manter em cativeiro a pessoa em ferias num dia de sol), seria bacana se a Uniao Europeia institucionalizesse para turistas o sistema de trocas, ja tao em voga entre quem gosta de ler. Lembrei disso agora porque aqui do lado, na estacao de trem de Raynes Park, tem um daqueles postos de troca de livros, o que evita qualquer “abandon debit” ou “pin blocked” no momento da aquisicao. Embora nem tenha sido essa a iniciativa mais legal do genero que vi nestas ferias.

Foi ainda em Paris, no apartamento que alugamos no 10eme para a estada de nove dias. Chegamos la, um quarto e sala/cozinha do tamanho ovo-padrao para duas pessoas, e encontramos uma estante com seus 30 e poucos livros. Achei que fossem todos do proprietario ate prestar atencao nos titulos – coisas tao variadas quanto uma traducao francesa das Mil e Uma Noites, uma edicao americana de Quicksilver, de Neal Stephenson (tem cara de best-seller, mas nao faco ideia do que seja e nao sera agora que vou checar), um guia sobre sabores da Polinesia e dicionarios varios para o frances.

E o que me deixou mais feliz enquanto fa de quadrinhos e estudante de frances: duas edicoes locais de HQs, PyongYang, do Guy Delisle, e Gorazde, do Joe Sacco. Antes de eu me encher de quadrinhos em sebos (depois escrevo sobre isso), essas duas salvaram minha vida.

Pela variedade de temas, generos e idiomas para uma biblioteca tão pequena, so podiam ser livros deixados por hospedes do apartamento para os proximos visitantes, essa generosidade que so a felicidade de umas boas ferias alimenta. Quis fazer a minha parte e deixar o primeiro titulo em portugues na minibiblioteca, o romance Outra Vida, do Rodrigo Lacerda. Mas, envolvida com a leitura das HQs, nao consegui terminar o livro a tempo e nao tive o desapego de abandona-lo antes de saber o fim.

Deixei entao, a titulo de quebra-galho,  o livrinho com a programacao do Louvre ate agosto. Foi o que deu pra fazer, desculpem. Mas, se voltar, prometo deixar algo mais representativo da minha boa intencao, ate porque a minibiblioteca anda carecida de doacoes.

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Ok, parece que tudo o que se podia fazer a respeito do cartao por enquanto ja foi feito. Ignorem os erros do texto escrito as pressas. Vou la aproveitar porque a vida eh breve, e as ferias, ainda mais.