Austen sem fim

Estadão

16 de dezembro de 2010 | 11h03

A homenagem do dia no Google britânico vai para Jane Austen, que celebraria hoje 235 anos se… bem, se fosse um zumbi, como gostaria a já famosa paródia de Orgulho e Preconceito.


Vi no Guardian de hoje, que cita ainda uma polêmica recente que me tinha passado despercebida.

Em outubro, a professora de Oxford Kathryn Sutherland acusou Jane Austen de dever seu estilo elegante ao editor William Gifford. Segundo a pesquisadora, Austen tinha uma pontuação “muito mais desleixada, mais parecida com o tipo de coisa que nossos alunos fazer e nós lhes pedimos para não fazerem”.

A leitura de manuscritos também a fez descobrir coisas curiosas como o fato de a autora usar “letras maiúsculas e sublinhado para enfatizar as palavras que achava importantes, de maneira a nos levar mais perto da voz falada. Sua retirada tornou o texto mais gramatical e sofisticado”. Taí, seria curioso ver um romance com trechos sublinhados como estratégia de ênfase do autor.

Sutherland termina elogiando aos montes a escritora, nada disposta a comprar essa briga bicentenária. Mas, pesquisando para este post, encontrei duas outras histórias que me chamaram a atenção.

A primeira foi o comentário da New Yorker sobre The Snark Handbook – Insult Edition, agora no início de dezembro. Entre várias críticas de escritores famosos a colegas igualmente celebrados, aparece um de Mark Twain a Austen: “Cada vez que leio Orgulho e Preconceito, fico com vontade de desenterrá-la e espancar a caveira dela com sua própria tíbia.”

A outra história foi o Bad Austen Award, premiação que publicará no ano que vem uma compilação dos piores textos de até 800 palavras escritos no estilo da autora, porque “é uma verdade universalmente reconhecida que um autor tão popular quanto Jane Austen deve ser imitado, ampliado e parodiado”.

Uma seleção de cenas já pode ser lida e receber votos no site.

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