A vez das pequenas editoras

Estadão

01 de março de 2011 | 18h01

Será que a vida vai ficar mais fácil para as editoras independentes em 2011?

Quem acompanha o mercado sabe que, de uns anos para cá, não param de surgir pequenas casas que capricham nas aquisições e edições, como a carioca Tinta Negra e a gaúcha Não Editora, para ficar em dois exemplos que me ocorreram agora (ok, vocês podem dar outros exemplos aí nos comentários).

Duas notas que publiquei recentemente na Babel mostram que o caminho para essas empresas lançarem e divulgarem títulos está ficando mais simples. A primeira, de janeiro, foi sobre a preparação de uma plataforma online para catálogo de editoras, a Dilve, que permitirá a consulta completa de dados sobre qualquer livro publicado no País e mais visibilidade para os acervos das pequenas editoras. A Câmara Brasileira do Livro e a Associação Nacional do Livro assinaram um acordo no último dia 24 com a espanhola Federación de Gremios de Editores de España para levar essa tarefa adiante.

A outra história, publicada no sábado passado, diz respeito ao novo site do ISBN no Brasil, que entrou no ar hoje. Por enquanto, é só uma adaptação das informações que até então ficavam dentro do site da Fundação Biblioteca Nacional (agência da ISBN no Brasil). Mas a ideia é que, ainda neste semestre, o site evolua a ponto de receber cadastros de editoras e obras. Até o momento, o cadastro no ISBN só é possível pelos correios, o que é sempre um trabalho a mais para quem tem estrutura muito pequena.

Quando fiz, em janeiro, uma matéria sobre o projeto do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB) de obrigar livrarias a colocarem à venda todos os títulos recebidos (uma história muito louca que continua correndo na Câmara, segundo post recente do Livros, Livrarias e Livreiros), aproveitei para conversar com pequenos editores sobre se era difícil emplacar lançamentos nas lojas. A resposta da maioria foi que, com uma boa edição e uma boa conversa, consegue-se tudo – embora livreiros assumam que é natural dar mais atenção a editoras que têm mais títulos a oferecer, já que se trata de um negócio.

Por outro lado, dia desses ouvi a história de um livreiro que, cansado de receber  vários livros a cada mês de uma grande editora, estipulou que até poderia expor os novos títulos na livraria, mas que estes entrariam no lugar dos lançamentos entregues pela mesma editora no mês anterior. Se for verdade, é engraçado: de tanto publicar, a casa vira concorrente dela própria.

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