A coluna da semana

Estadão

12 de fevereiro de 2011 | 11h18

[Publicado no Sabático de 12/2]

BABEL

Raquel Cozer – raquel.cozer@grupoestado.com.br

POESIA
Pouco traduzido no País, Heine terá sua maior antologia

Aluno de Hegel e Bopp na academia berlinense, amigo de Balzac e Chopin na capital francesa e influência para Marx e Nietzsche, entre outros, o poeta judeu-alemão Heinrich Heine (1797-1856) terá este ano sua maior antologia em português. Heine, Hein? – Poeta dos Contrários sai em maio, pela Perspectiva, com 544 páginas e 120 poemas e textos organizados e traduzidos pelo poeta André Vallias. Considerado por Borges “o primeiro poeta alemão”, Heine não teve no Brasil registros à altura de sua importância no século 20. Houve uma única coletânea de versos, Livro das Canções, organizada por Jamil Almansur Haddad nos anos 40, com traduções em sua maioria do século 19. Outras iniciativas, como as dez versões incluídas por Décio Pignatari em 31 Poetas – 214 Poemas, de 1996, foram esparsas.

INFANTIL
Tribo para crianças
A aposta certeira no público adolescente, com a adoção de obras de Emilio Salgari por escolas, levou a Iluminuras a mirar leitores ainda mais jovens: a partir de abril, o selo Livros da Tribo lançará também infantis, com foco em clássicos e na alta produção do gênero.

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A estreia será com João Felpudo, do psiquiatra Heinrich Hoffmann (1885-1957), obra tão celebrada que dá até nome a museu em Berlim. Traduzido no passado por Guilherme de Almeida, o volume com dez histórias ilustradas sobre o mau comportamento ganha agora versão de Claudia Cavalcanti. Da produção alemã estão previstos ainda Atrás da Torre Está o Mar e O Verão de Lúcio, de Jutta Richter, seguidos de obras argentinas e francesas. A editora tem interesse também em criações brasileiras, ainda em estudo.

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EXPORTAÇÃO
Submundo made in Brazil
Vai atravessar o oceano a boa maré de Pornopopéia, de Reinaldo Moraes, que já teve mais de 7 mil cópias vendidas desde maio de 2009. O livro acaba de ter os direitos adquiridos pela prestigiosa casa portuguesa Quetzal, que ainda publicará da Objetiva o premiado Outra Vida, de Rodrigo Lacerda.

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Por falar em Reinaldo, o selo Má Companhia, que estreia em março com dois títulos do paulistano (Tanto Faz e Abacaxi), fechou mais um título para este ano. Trata-se de Não Há Nada Lá, romance de estreia de Joca Reiners Terron, que integrará a série de autores malditos da Companhia das Letras no ano em que completa uma década de lançamento.

CARICATURAS
Se o bem e o mal existem
Javier Bardem (imagem), em Onde os Fracos Não Têm Vez; e Harrison Ford, em Indiana Jones, são alguns dos retratados no Livro do Oscar – Entre o Bem e o Mal, seleção de grandes vilões e mocinhos do cinema no traço de Ernesto Perlingeiro. Sai pela BarbaNegra/Leya, em abril, com textos do crítico de cinema Rogério Durst.

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FLIP
Carrère por aqui
O celebrado romancista francês Emmanuel Carrère, comparado em seu país a Franz Kafka pelo estranhamento que sua obra causa, estará na Flip, em julho. O autor de Outras Vidas Que Não a Minha (Alfaguara, 2010) é conhecido também por roteirizar e dirigir filmes relacionados a seus livros, caso de O Bigode (romance de 1986, filme de 2005) e Um Romance Russo (livro de 2007, documentário de 2003).

INTERNET
Negócio arriscado
Alexandre Pires Vieira descobriu nesta semana que vida de editor não é simples. Responsável pela Legatus, citada na última Babel por vender na Amazon e-books em português com dados incorretos, ele informou à coluna que não sabia da necessidade de fichas catalográficas e que vai tirar os títulos do ar até corrigir tudo. Nesta semana, a tradutora Denise Bottmann constatou diversos outros problemas, como versões cujos direitos não estão em domínio público.

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Sócio de empresa de seguros, Vieira disse que formatava livros para Kindle para consumo próprio até decidir testar a venda, há cerca de um ano, incluindo na loja para autores independentes da Amazon obras gratuitas localizadas em sites de download – aos quais credita os erros. “Confiei neles.” Hoje tem cerca de 100 títulos à venda. Os negócios, diz, têm crescido 20% ao mês. O best-seller é a Bíblia em inglês, com 600 cópias só em janeiro, enquanto a Bíblia em português (“A da Legatus é a única em português na Amazon”, orgulha-se) teve 60 exemplares vendidos no mesmo período.

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Update em 12/2: De um comprador de livros da Legatus para Denise: “Eu baixei o Maquiavel. Tinha 36 paginas, era um resumo mutilado, digamos assim. O livro honesto tem 200 pgs.  Eu paguei 6,99 dolares. Não eh um conto do vigario?

Além de tudo, está faltando um contato para reclamações, não? Fiquei sabendo de toda essa história da Legatus por um conhecido que comprou a tradução do “Paulo Besera” e recebeu a do José Geraldo Vieira. Ele escreveu há umas três semanas para a Amazon pedindo o dinheiro de volta e não teve resposta até agora. Diz Vieira que a Amazon avisa quando recebe reclamações (houve algumas, segundo ele, sobre a Bíblia em inglês, na qual faltavam versículos), mas eu mesma já tentei entrar em contato com o site várias vezes sem nenhuma resposta. A Legatus deveria ter algum contato na internet para reclamações. E, indo ainda mais longe: a Amazon lava as mãos em relação aos produtos que oferece?

Update 2, em 17/2: Essa discussão continua nos comentários abaixo.

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